ENEM 2016 - 1ª Aplicação - Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil

Enviada em 31/03/2020

A formação histórica e cultural do Brasil demonstra que o país, desde a sua formação, tem a influência de incontáveis religiões. O colonizador português trazia em sua embarcação a tradição católica; o escravo proveniente da África contribuiu para a disseminação religiosa daquele continente; imigrantes judeus que chegam frequentemente ao país tupiniquim tentam enraizar o judaísmo na cultura brasileira. Apesar de a pluralidade religiosa mostrar-se tão evidente na história e na contemporaneidade de nosso país, parte da sociedade não percebe a importância que a tolerância religiosa tem na atualidade.

Para exemplificar a veracidade desse tema no Brasil, basta analisar as irrefutáveis estatísticas. Segundo a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, a religião mais afetada pelos atos e argumentos intolerantes é a afro-brasileira, com 75 denúncias entre 2011 e 2014. Outro dado alarmante retirado da mesma publicação: até julho de 2014, a cada 100 casos de desrespeito religioso, 12 acabaram em violência física, ou seja, a agressão à cidadania e à democracia ainda é frequente em um país que tenta explorar um futuro de respeito às crenças.

Com o objetivo de crucificar de vez a intolerância na cruz do esquecimento, uma medida de intervenção eficaz deve ser adotada em caráter imediato. Apesar de já existir ensino voltado para as religiões nas escolas, as estatísticas mostram que ele ainda não é o suficiente. Para tanto, seria interessante que o Ministério da Educação aproveitasse a futura reforma que o Estado pretende realizar no ensino médio e intensificar nas matérias de ensino religioso e história a abordagem de religião, cidadania e tolerância.

Contando com tal intervenção, os jovens (que serão a futura geração) sairão da escola com nota máxima em cidadania. A partir de então, sabendo qual fora a formação histórica e cultural de seu país, ficará mais fácil para que esses mesmos jovens idealizem uma nação sem a cruz, a pedra e a ideologia da intolerância.