ENEM 2016 - 1ª Aplicação - Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil

Enviada em 26/06/2020

A Colonização do Brasil, antiga América Portuguesa, tem como grande marco a catequização dos indígenas que aqui viviam. Tal período histórico ilustra preciso cenário de intolerância religiosa, uma vez que os portugueses viam-se responsáveis por “civilizar” os nativos por intermédio da fé cristã e retirá-los da barbárie. Conquanto mais de um século tenha se passado, nota-se a persistência da questão na sociedade atual, no que concerne aos frequentes casos de preconceito à religião no Brasil. Dessarte, urge a adoção de medidas para combater a emergente situação, que permanece influenciada por aspectos familiares e históricos.

Em primeiro momento, cabe avaliar o papel da família na construção do problema. Segundo o filósofo Tallcot Parsons, “a família é uma máquina que produz personalidades humanas”. Sob essa ótica, é notória a falha no comportamento da famílias brasileiras ao criar seus filhos sem o contato direto com outras religiões e culturas, senão a própria religião familiar, impedindo-os, assim, de formar sua crença individual e reconhecer outras culturas como dignas. Em suma, a hereditariedade religiosa vigente acaba por contribuir para a formação de indivíduos intolerantes e desconhecidos da pluralidade cultural e doutrinária de seu país.

Ademais, vale ressaltar a notoriedade do racismo estrutural na conjuntura da questão. Consoante ao sociólogo Florestan Fernandes, “o brasileiro possui o chamado preconceito reativo: o preconceito contra o preconceito, uma vez que prefere negar a reconhecer e atuar”. Nesse sentido, nota-se a reatividade da intolerância religiosa no Brasil em virtude dos atos referentes, sem arranhões, à cor da pele, como afirmam os dados de 2016 da Secretaria de Direitos Humanos, em que o maior número de denúncias contra ações de preconceito são da religião afro-brasileira. Logo, a discriminação religiosa provém indubitavelmente das raízes racistas no Brasil, ambas oriundas da colonização escravocrata.

Portanto, faz-se necessário o combate à questão através de suas causas. Dessa forma, é dever das famílias brasileiras- elemento primordial no desenvolvimento cidadão-, juntamente com as escolas, estabelecer o contato completo dos indivíduos com elementos de diversas religiões e culturas do Brasil. Tal ação deve ocorrer por meio de palestras nas instituições, passeios culturais com as famílias e exibição de vídeos, tanto em casa quanto no ambiente escolar, a fim de possibilitar uma visão mais tolerante dos alunos e seus pais, acerca da pluralidade religiosa, cultural e racial do país. Por certo, o legado discriminatório da colonização ficará apenas no passado dos brasileiros.