ENEM 2016 - 1ª Aplicação - Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil

Enviada em 28/06/2020

Em 1937, Getúlio Vargas instituiu o Estado Novo e promulgou a constituinte “a polaca”, na qual continha uma lei antissemitista, que proibia a entrada dos judeus que não fossem católicos no Brasil. Voltando-se a contemporaneidade, é cognoscível que o preconceito religioso ainda está difundido na comunidade brasileira e é tratado com negligência pela legislação nacional. Sendo assim, é compreensível que tais imbróglios estão diretamente relacionados com o preconceito estrutural voltado para as religiões de matrizes africanas e com a falsidade de laicização estatal passado à sociedade.

Vale ressaltar, de início, que, no Brasil, a intolerância religiosa com as religiões de matrizes africanas está, majoritariamente, ligada ao preconceito racial existente na sociedade brasileira. De acordo com um levantamento dos Direitos Humanos, publicado em 2018, cerca de 27% das denuncias de intolerância religiosa são feitas pelos adeptos das religiões de matrizes africanas e, aproximadamente, 25% dos agressores são pessoas brancas. À vista disso, é notório que a intolerância religiosa está diretamente interligada ao racismo estrutural existente desde o período colonial que, em compêndio, é uma herança européia deixada no território nacional há muitos anos. Logo, faz-se necessário a discussão profícua para minorar os índices de intolerância pelo país, pois, conforme Helen Keller, escritora e ativista social norte- americana, “o resultado mais sublime da educação é a tolerância.”

Em segundo plano, nota-se que, o Estado brasileiro, ainda apresenta estruturalmente uma cultura histórica cristã. Nesse viés, o documentário “Religião x política: a importância do estado laico”, lançado em 2019, aponta a falta de laicização estatal como a principal dificuldade encontrada por esses grupos religiosos, uma vez que o cristianismo é a principal e única religião a ser difundida pelos órgãos governamentais. Nesse prisma, é entendível que a falta de apoio estatal para difundir os conhecimentos sobre essas religiões fomenta o preconceito voltado para esses grupos, que é ocasionador da intolerância religiosa e da segregação populacional nacional.

Em suma, medidas são essenciais para minorar os índices de intolerância religiosa pelo Brasil. Primor- dialmente, o Ministério da Educação deve criar um programa nacional escolar que visa abranger todas escolas brasileiras, na qual a finalidade é promover palestras e minicursos com sociólogos e historiadores, cujo objetivo é informar acerca da importância das religiões para a formação da sociedade e debater sobre a necessidade de se respeitar todas religiões. Ademais, ONGs, engajadas em questões sociais, devem promover lives com chefes religiosos, com o desígnio de possibilitar o conhecimento sobre os vários tipos de religiões e articular a reflexão sobre a temática pelo público brasileiro. Sendo assim, ações desse tipo garantirão um país mais justo e próspero.