ENEM 2016 - 1ª Aplicação - Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil

Enviada em 05/07/2020

No conto “São Marcos”, de Guimarães Rosa, José, o protagonista, sempre humilhava o personagem João Mangalô. Essas agressões se davam pelo fato de Mangalô ser de uma religião de matriz africana, o que, por ser diferente da de José, era tratada como sinônimo de feitiçaria. Apesar de se tratar de um ficção, essa história retrata um grave problema na sociedade brasileira, que é o desrespeito à religião do outro. No Brasil, essa intolerância religiosa é fruto de suas raízes históricas coloniais, o que tornou-a comum na cultura brasileira. Logo, o caminho para combater esse problema seria pelo investimento em projetos com o intuito de desconstruir esse pensamento discriminatório.

A princípio, é importante salientar que o Brasil é uma país onde a intolerância religiosa está presente desde a sua colonização. Nesse contexto, isso ocorreu devido à catequização compulsória de indígenas e africanos por padres jesuítas, os quais consideravam sua religião superior às outras e, por isso, tinham o direito de impor sua fé. Nesse sentido, pode-se observar que, por séculos, o cenário brasileiro foi de intolerância com a religião do outro e que, além disso, essa vil prática ainda perdura, visto que, de acordo com a Secretaria dos Direitos Humanos do Brasil, os casos desse problema são elevados em território nacional. Sob tal perspectiva, mesmo que essa prática tenha estado presente durante quase toda a história brasileira, é inadmissível que ela ainda ocorra na atualidade, já que, a priori, a liberdade religiosa é garantida pela Constituição de 1988.

Consequentemente, por conta de séculos de imposição de uma religião sobre outras, a intolerância religiosa se difundiu para a cultura dos brasileiros. Por isso, a discriminação realizada por José, no conto “São Marcos”, é algo que extrapola a ficção. Porém, não se pode culpar o indivíduo em si por sua atitude intolerante, pois, segundo o sociólogo Émile Durkheim: “as ações individuais são produto da sociedade”. Por conseguinte, é previsível que, em uma sociedade construída sob os alicerces da intolerância, como ocorreu com o Brasil, as pessoas ainda manifestem a intolerância religiosa até os dias atuais, já que a própria cultura brasileira anexou essa discriminação para si. Esse desrespeito às religiões alheias pode ser verificado quando se considera uma religião como feitiçaria, como ocorreu no conto de Guimarães Rosa , o qual reproduz uma fala corriqueira no país.

Portanto, tendo em vista que o Brasil é um país onde a intolerância religiosa esteve tão presente, ao ponto de se inserir na sua cultura, é vital que o Governo Federal invista na desconstrução desse pensamento. Esses investimentos podem ocorrer por meio da promoção de campanhas publicitárias, as quais sejam transmitidas tanto na televisão quanto nas redes sociais, que vinculem uma mensagem de respeito às religiões. Desse modo, a intolerância religiosa diminuirá  no país.