ENEM 2016 - 1ª Aplicação - Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil

Enviada em 06/07/2020

A palavra “intolerância” remete à ausência da habilidade ou vontade própria de aceitar as diferenças de pensamentos. Essa condição, sustentada nos pilares da ignorância e da necessidade de reafirmação de si a partir da invalidação do distinto, permeia há muitos séculos em uma das principais instituições sociais, a crença religiosa. No Brasil, falhas no campo educacional e na prática da laicidade do Estado continuam a nutrir essa realidade no país.

Primeiramente, além do ambiente familiar, a escola representa o espaço em que as crianças e os jovens devem construir seus princípios de convivência social, que incluem o respeito à liberdade de expressão religiosa, garantida pela constituição de 1988. Entretanto, na realidade brasileira, o despreparo de muitos profissionais da educação na orientação para a desconstrução de discursos de ódio, permite a construção de um ambiente hostil, cenário observado pela pesquisadora Denise Carreira ao visitar diversas escolas por todo o país. Eventualmente, esse comportamento é reproduzido por esses indivíduos em outros contextos da sociedade, e muitas vezes ultrapassa da violência psicológica para a violência física, ao ponto de provocar mortes.

Para mais, apesar de declarado laico, o Estado brasileiro ainda encontra-se no processo para o alcance dessa identidade, e profundamente influenciado por crenças religiosas. À exemplo, a presença de crucifixos no Congresso Nacional, órgão responsável pela elaboração de leis para toda a população, que, por sua vez, não se declara em sua totalidade como cristã. Essa expressão religiosa contribui para a opressão de outros grupos, pois pode ser vista como um apoio de uma entidade de enorme poder e influência na sociedade por parte daqueles que fazem parte do grupo representado e reproduzem o discurso de intolerância.

Em suma, a conduta intolerante é construída de acordo com a percepção de mundo que o indivíduo tem contato ao longo da sua formação como cidadão. Assim, como citado pelo filósofo Immanuel Kant, “é no problema da educação que assenta o grande segredo do aperfeiçoamento da humanidade”. Isto posto, é necessário que Governo Federal, através do Ministério da Educação, atue de forma a inserir no ensino básico o componente curricular de ensino à tolerância religiosa, por meio da apresentação histórica e informativa da multiplicidade de crenças, além de palestras e campanhas por intermédio dos meios de comunicação, uma vez que o conhecimento incentiva ao respeito. Por fim, é fundamental a atuação do Supremo Tribunal Federal para a retirada de símbolos religiosos dos órgãos de poder, como mais um passo para a desconstrução do histórico poder religioso sobre a política, que atua diretamente na sociedade.