ENEM 2016 - 1ª Aplicação - Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil
Enviada em 05/07/2020
Os primeiras cultos religiosos registrados datam da pré-história e alguns deles estavam ligados ao processo de sepultamento dos membros de uma tribo. A religiosidade como conforto para o evento da morte perpetua na atualidade e demonstra a importância que a religião possui para o bem-estar do ser humano. Paralelo a isso, também é histórica a intolerância praticada por membros de um grupo social contra coletivos que possuem santimônias distintas. Isso torna necessária a discussão a respeito das raízes desse problema e sobre os meios para o enfrentamento desse tipo de violência, especialmente no contexto brasileiro. Quantos às origens da questão, percebe-se que esse ódio, em certo ponto, está não somente ligado à ignorância sociopolítica, mas também ao preconceito racial.
Inicialmente, quanto à incompreensão sociopolítica, pode ser citada a explosão da abominação do islamismo, após o ataque terrorista praticado contra o World Trade Center, em 2002. O atentado foi coordenado pela organização fundamentalista islâmica Al-Qaeda. Nesse sentido, a intenção desse grupo é impor o seu culto de fé como único legítimo e difundi-lo na política, em uma escala mundial. Ocorre que, apesar de o ataque ter sido unicamente produzido por esse coletivo, o qual não representa o povo muçulmano, parte da população ocidental, incluindo o Brasil, passou a relacionar os adeptos da religião à facção. Assim, muitos seguidores do Islã, principalmente as mulheres -por serem facilmente identificadas pelo uso do véu- passaram a receber agressões verbais e físicas, de forma inesperada.
Paralelo a isso, há o preconceito contra os cultos de matriz afro. Um exemplo desse tipo de ocorrência está em constantes ameças de destruição dos templos da Umbanda e do Candomblé feitas por traficantes evangélicos, em comunidades do Rio de Janeiro. Para a sociologia, entre as origens desse tipo de acontecimento, encontra-se o racismo plantado por valores do tempo da escravidão colonial, os quais conferem à cultura negra um significado animalesco. Portanto, essas práticas de fé são geralmente rotuladas negativamente, simplesmente por serem de origem africana.
Por fim, delineada a barbárie praticada contra alguns cidadãos e suas devoções santificadas, bem como identificadas as causas centrais para esse tipo de problema, é o momento de esboçar o combate dessa triste realidade. Assim, uma saída para a questão está em o Estado brasileiro criar campanhas educacionais, de alcance nacional. Esse projeto deve ser apoiado por profissionais, como historiadores, psicólogos e líderes das religiões discriminadas, os quais contarão, por palestras e encontros entre comunidades distintas, a realidade das culturas rejeitadas, promovendo a aproximação e a tolerância entre o que é diferente. Desse modo, é possível deslumbrar que os seres humanos possam desfrutar, em paz, das crenças que lhe confortam a experiência, muitas vezes angustiante, do vazio existencial.