ENEM 2016 - 1ª Aplicação - Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil
Enviada em 14/07/2020
A sociedade brasileira é caracterizada pela miscigenação decorrente de sua colonização, a qual envolveu a mistura de diversas etnias, o que acarretou no choque entre muitas religiões diferentes. No entanto, o catolicismo se sobressaiu as outras, devido à catequização dos indígenas, assim ,ao longo dos anos, desenvolveu-se uma intolerância as outras religiões (minorias), a qual predomina até os dias atuais. Fato inadequado, já que o Brasil é um país laico que deve garantir a todos a liberdade de crença, mas presente na sociedade devido à abordagem inadequada da religião em algumas instituições como na escola e na política, gerando um preconceito com o que é incomum.
Adjacente a isso, pode-se descrever a religião como uma forma de se portar na sociedade, pois através dela são ensinados princípios morais e afetivos que interferem na maneira de pensar do ser humano. Visto isso, compreende-se que cada religião formará indivíduos que pensam de formas distintas, fato que não é um problema e que deve ser respeitado, tanto que a Constituição afirma que o ensino religioso deve ser facultativo nas escolas. Porém, uma pesquisa do questionário diretor da prova Brasil de 2011, mostra que 66% das escolas ministram aulas de ensino religioso, 51% tem o costume de realizar orações e 22% tem imagens, frases e símbolos religiosos expostos, o que se torna um gatilho para a intolerância, já que somente a crença da maioria está sendo representada.
Além disso, um levantamento realizado pelo jornal da cultura mostrou que 86% dos deputados federais fazem parte da bancada da bíblia. Essa junção de religião com assuntos políticos pode prejudicar os rumos do país, pois existem várias religiões e cada uma possui a sua crença, as quais não devem ser usadas como argumentos para fatos científicos e sociais, mas que muitas vezes são consideradas nas decisões políticas, como na aprovação de pesquisas com embriões ou em debates a respeito da legalização do aborto. Tal realidade pode contribuir para o aumento da intolerância pelos grupos que não acreditam que esse juízo religioso deve ser levado em consideração na política.
Portanto, é evidente que a intolerância religiosa cresce devido ao preconceito às minorias e à interferência inadequada da religião em assuntos políticos e sociais. Visto isso, é necessário que as escolas, como instituições formadoras de jovens cultos, realize o ensino da religião de forma ampla e apartada de pregação, por meio de professores formados em ciência da religião, para que a história, função e as diversas religiões existentes sejam abordadas, no intuito de informar e com isso reduzir o preconceito das pessoas a respeito das religiões pouco conhecidas. Ademais, o Governo Federal, por meio da supervisão das decisões governamentais de seus funcionários, deve garantir que elas sejam isentas de juízo religioso, para que a laicidade do Estado seja alcançada e a intolerância reduzida.