ENEM 2016 - 1ª Aplicação - Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil
Enviada em 15/07/2020
Na mitologia grega, Prometeu foi acorrentado a rochedos de sofrimento sob a pena de ter seu fígado devorado diariamente por um abutre. Embora seja um contexto ficcional, o mito assemelha-se à questão das possibilidades de combate à não aceitação do diferente – sob o âmbito religioso – no Brasil. Nesse espectro, uma análise sobre os grupos mais afetados por esse tipo de preconceito – as crenças afro-brasileiras - denota um quadro que expõe mazelas históricas do país. À luz disso, tanto a confirmação efetiva do Estado laico quanto um esforço para findar os estereótipos mantidos pelo senso comum – historicamente enraizado na mentalidade de parte da população – são essenciais.
A priori, cabe mencionar o pensamento do filósofo John Locke, ao afirmar que a religião deve permanecer na esfera individual. Sob essa óptica, a coletividade não pode exercer qualquer tipo de influência ou repressão ao indivíduo sobre essa temática. No entanto, pressões externas são verificadas ao longo do tempo, como a crença oficial durante o Império Romano e a oferta midiática por meio da publicidade, hodiernamente. Nesse sentido, é fundamental o fortalecimento de órgãos como delegacias de polícia, com o fito de assegurar às pessoas uma proteção eficiente sobre ataques relacionados ao tema – de modo a assegurar o princípio de laicidade da Constituição Cidadã de 1988.
A posteriori, vale ressaltar o filme “O Jogo da Imitação”, que narra a história de Alan Turing, um estudioso ateu que foi muito importante no desenvolvimento da ciência da computação. Em suma, é retratada a época do nazismo, cujas marcas ainda estão presentes em ideologias contemporâneas. Por exemplo, a hierarquização étnica, em que certos sujeitos se julgam superiores perante uma massa de “inferiores” - apenas por serem diferentes. Outrossim, teorias como o darwinismo social, de Herbert Spencer, durante o período do racismo científico – e o mito da democracia racial comprovam não apenas o preconceito com a descrença em uma divindade, como também com religiões afro-brasileiras.
Logo, é mister que o Ministério da Educação e Cultura (MEC) promova palestras nas escolas com a finalidade de conscientizar os alunos sobre a importância da diversidade e da tolerância, já que isso é uma premissa para a liberdade de vivência conforme a filosofia pessoal. Do mesmo modo, é fundamental a formação de profissionais capacitados a lecionarem na disciplina de Ensino Religioso, já presente na Base Comum Curricular. Ademais, cabe ao Comitê Nacional da Liberdade de Religião e Crença a realização de campanhas, nas redes sociais e na mídia televisiva, que visem a erradicação da discriminação, da má compreensão de opções religiosas e do etnocentrismo – que, várias vezes, evolui para a violência. Assim, poder-se-á cobrir o fígado populacional com a epiderme da segurança e exterminar o abutre da intolerância.