ENEM 2016 - 1ª Aplicação - Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil

Enviada em 05/07/2020

O Brasil é um país legislativamente laico, ou seja, há separação entre religião e Estado, o que não quer dizer que a religião é tratada com indiferença, visto que ela é uma instituição social, e contribui para a coesão, assim, a liberdade de culto é garantida pela constituição. Contudo, de acordo com o Ministério dos Direitos humanos, há uma denúncia de de intolerância religiosa a cada 15 horas, sendo 39% das vítimas adeptas a crenças de origem africana. Diante disso, cabe discutir possíveis causas de tal hostilidade.

Sabe-se que a colonização na América do Sul foi marcada  pela educação jesuítica, instituído pelos europeus, mas também houve introdução de religiões de cultura africana pelos povos escravizados, que atualmente, de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), representa-se por 0,3% de adeptos. Todavia, a imposição religiosa realizada pelos brancos colonizadores veio munido de etnocentrismo, que somado ao racismo estrutural perdurante na sociedade fundamenta o dado apresentado no início do texto. É inacreditável como um país miscigenado, com tantos sotaques e costumes, ainda carregue tamanha ignorância quanto a diversidade cultural.

Outro ponto a ser destacado, em consonância com a presença do etnocentrismo, observa-se que os praticantes desse gênero de violência atribuem a si, e aos seus costumes, o correto modelo a ser seguido. Nesse sentido, constata-se a normalização do uso de palavras, em referência as religiões afro-brasileiras, de maneira ofensiva e relacionada a maldade, por exemplo “macumba”, elencada como um ritual funesto, mas que em sua origem etimológica é o nome de um instrumento de percussão da cultura africana. Essa padronização na linguagem deve ser modificada com afinco, pois sua permanência só demonstra a inciência histórica presente na sociedade.

Nesse sentido, o ensino religioso como ciência é de grande importância, e cabe ao Estado em conjunto com o Ministério da Educação inseri-lo no ensino regular, seja em disciplinas como história e/ou sociologia, com o objetivo de agregar repertório histórico ao indivíduo, aniquilando a ignorância e a ideia de hierarquia cultural. Sabe-se que em outrora na pré-história o ser humano apresentava rituais religiosos, crenças metafísicas, portanto, deve-se encarar a compreensão simbólica das religiões como conteúdo antropológico.