ENEM 2016 - 1ª Aplicação - Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil
Enviada em 05/07/2020
O CULTO A RELIGIÃO NA SOCIEDADE DE CONTROLE
Uma característica inerente às sociedades humanas desde a Antiguidade é o culto aos deuses, seja em uma religião politeísta ou monoteísta. A gama de religiões no mundo moderno é extensa, tendo uma parcela mais aceita socialmente e uma outra a qual é alvo de desrespeito e discriminação.
O catolicismo, como a religião mais presente no mundo e, aparentemente, a mais pacífica no sentido ditatorial, já foi causadora de diversos momentos conturbados na história, como as cruzadas, que provocaram a morte de diversos fiéis com o intuito de conquistar Jerusalém e o “descobrimento” do Brasil, impondo a catequização dos índios as forças. Esse fato, explicitamente, é um ato de intolerância, por impor forçadamente uma religião, sem considerar o interesse da outra parte, invadindo seu espaço de livre-arbítrio.
No que se refere ao Brasil atual, a ideia de estado laico se faz presente na Constituição, logo, o estado não deve interferir e nem ditar a vida religiosa dos brasileiros. Entretanto, a frase “Deus seja louvado” estampa, até hoje, todas as cédulas da nossa moeda; o atual congresso brasileiro possui uma bancada evangélica e o presidente deste mandato se elegeu com um discurso extremamente religioso. Esses fatores denotam o extremo fanatismo e imposição em um país que possui a laicidade como princípio, sendo um país livre, ou era para ser.
Diante toda essa conjuntura, uma pequena parcela das religiões é mais aceita do que outras, como é o caso das religiões de matrizes africanas, que também fazem parte do Brasil desde o período colonial. Essa não-aceitação se dá porque apenas uma religião está enraizada na sociedade, não cedendo espaço para a propagação de outras crenças, exaltando e enaltecendo sempre o mais do mesmo. Dessa forma, a mídia como um grande veículo de informação e presença na vida dos brasileiros, deve criar, juntamente ao Ministério da Educação, programas e rodas de conversa em horário nobre a fim de propagar novas informações e conhecimentos, quebrando com essa padronização de apenas uma religião, fazendo com que todos os sujeitos sejam representados por conta da religião que possuem. Além de propagar o fato de que o estado é laico e de que a igreja não pode vincular-se como um aparelho ideológico. Deve-se garantir a liberdade religiosa, como já defendia John Locke.