ENEM 2016 - 1ª Aplicação - Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil

Enviada em 06/07/2020

Entre os artigos mais importantes da Constituição Federal Brasileira de 1988, o 5° se sobressai por garantir a inviolabilidade do direito à liberdade. Contudo, apesar do legislativo ressaltar o poder de livre escolha, a intolerância religiosa permanece corrompendo a sociedade devido a uma herança história de preconceitos. Dessa forma, entender os mecanismos que levam à imposição cultural e a exclusão de minorias é de extrema importância para mitigar a problemática.

Em primeiro plano, é válido analisar o desrespeito como uma consequência do ideal de superioridade branca presente em algumas sociedades. Nesse sentido, desde a colonização, quando os portugueses, sob a representação dos jesuítas, consideraram justo enclausurar e impor sua espiritualidade sobre os indígenas, aniquilando os traços de suas tradições pagãs, é possível notar a necessidade do dominador em impor sua verdade sobre os demais. Assim, as subjetividades que envolvem os diferentes povos são desconsideradas e tudo o que foge da moralidade, fomentada fortemente pela religiosidade, torna-se obsceno e depravante.

Além disso, quando ocorre resistência às normas estipuladas, a tentativa de silenciamento surge como uma nova forma de opressão. Diante disso, a associação de religiões que fogem da tendência cristã ao maligno, faz com que os seguidores de crenças dominantes vejam o diferente como inimigo, resultando na perseguição, inferiorização e exclusão desses indivíduos. Como resultado disso, a vítima sente a necessidade de esconder aquilo que é, comprometendo sua autoidentidade e ocasionando o processo que o sociólogo Pierre Bourdieu categorizou como “Violência Simbólica” - uma agressão que ultrapassa os limites físicos.

Dado o exposto, é mister reverter o aprisionamento gerado pela intolerância. Cabe, portanto, ao Ministério da Cidadania, a partir da parceria com o Ministério da Educação, criar um projeto de interação cultural, no qual a sociedade seria convidada a participar de eventos culturais, promovidos pelos alunos, que envolvessem o conhecimento acerca das diferentes formações religiosas no Brasil e que propusessem o exercício de um olhar mais empático e humano com aqueles que pensam diferente. Com o objetivo de contornar o desrespeito que assola a sociedade e tornar legítima o pressuposto indagado pelo documento constitucional.