ENEM 2016 - 1ª Aplicação - Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil

Enviada em 05/07/2020

No século XVI, momento da colonização portuguesa das terras brasileiras, os padres jesuítas perseguiram arduamente os índios nativos, baseados na falsa ideia de que estavam levando a verdadeira religião àquele povo. Essa conjuntura de intolerância religiosa, mesmo após cinco séculos, ainda é existente no Brasil, seja pela ineficácia da atuação do Estado, seja ainda pela manutenção do ideário colonizador. Visto isso, faz-se necessária a discussão dos agentes promotores dessa problemática, a fim de traçar caminhos para a sua resolução.

A princípio, é inegável que o Governo é um dos causadores da perseguição sofrida por quem é de religiões diferentes daquela que é majoritária. Para Thomas Hobbes, o Estado é responsável por assegurar o bem-estar da população. Contudo, falha nessa tarefa a partir do momento em que não desenvolve ações efetivas no que tange à valorização da multiplicidade de fés dentro do território nacional. Dessarte, é triste que um governante apoie a existência de feriados nacionais que celebram uma religião específica, mas nada faça para valorizar as tantas outras existentes.

Ademais, é fulcral pontuar que o pensamento preconceituoso herdado dos europeus dá lugar à falta de tolerância religiosa. Segundo Norberto Bobbio, desde a Idade Média, o ser humano passou a desenvolver um comportamento de aversão contra aqueles que não se submetessem ao poder da Igreja. Isso influenciou a colonização da América e continua mostrando sua efetividade na atualidade, visto que proíbe que os seus fiéis tenham contato com doutrinas consideradas, de forma equivocada, como satanistas. Assim, há a perpetuação da desarmonia e intolerância.

Portanto, medidas exequíveis são necessárias para atenuar o quadro deletério. Dessa forma, o Ministério da Educação, órgão responsável por garantir uma formação responsável e multicultural, deve criar, por intermédio das Secretarias de Educação municipais, o projeto “Brasil, um país de várias fés”. Esse programa deve ocorrer através de aulas dinâmicas e interativas, sempre aos finais de semana, em que o estudante conhecerá as mais diversas religiões do Brasil e, em forma de rodas de debate, deve haver a valorização do respeito entre crenças. Logo, a humanidade, despida de prenoções, saberá conviver em sociedade, sem a necessidade de subjugações e preconceitos. Só assim a perspectiva do colonizador será vencida.