ENEM 2016 - 1ª Aplicação - Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil
Enviada em 07/07/2020
A Revolta dos Malês eclodiu na Bahia escravista do século XIX e representa a intolerância religiosa, já que seus líderes eram negros muçulmanos, que lutavam contra a imposição do catolicismo sobre os escravos e foram duramente reprimidos. De fato, muitas conquistas como o Estado laico e a liberdade de culto já foram adquiridas, no entanto, o preconceito às crenças ainda está no cerne da sociedade atual, visto que ele é estrutural e tolerado. Logo, torna-se necessário entender essas causas para encontrar caminhos que mitiguem esse problema.
De início, a intolerância religiosa é estrutural porque está infiltrada na cultura imaterial. Sendo assim, segundo Durkheim, ela é um fato social, uma vez que tem como características ser geral, exterior e coercitiva, ou seja, revela a maneira de agir que é passada pelas gerações. Entretanto, essa condição não é natural, mas sim uma construção humana que está enraizada no tecido social, pois é resultado de um processo histórico. Em suma, esse preconceito persiste desde o cenário da Revolta dos Malês, todavia, felizmente, ele não é imutável, então, há perspectiva de mudança.
Ademais, a intolerância religiosa não deveria ser aceita, como ainda é. Analogamente, Karl Popper afirmou que há um paradoxo da tolerância, em que se ela for ilimitada, causará sua própria extinção. Dessa forma, não se manifestar contra falas que inferiorizam ou agridem as religiões, como “chuta que é macumba” e “crente do rabo quente”, em defesa da liberdade de expressão é um erro, porquanto essa premissa reprime os outros, quando ultrapassa os limites do respeito. Enfim, indubitavelmente, as leis devem impedir que uma prerrogativa anule a outra.
Portanto, a intolerância religiosa no brasil permanece devido ao fato de ser estrutural e aceita na sociedade. Nesse raciocínio, fica evidente que o caminho para combate-la é não aceitá-la. Para tanto, cabe ao Estado, em conjunto com o Ministério da Educação, por ser responsável pelas conscientizações, realizarem palestras, em escolas municipais, abertas ao público. Isso deve ocorrer mediante debates que mostrem a visão da ciência e da história sobre igualdade e respeito e orientem a sociedade a não aceitar discursos de ódio. A finalidade dessa ação é tornar a população contrária a esses comportamentos, assim haverá uma coerção social para que eles acabem e o efeito disso será diminuir o preconceito religioso.