ENEM 2016 - 1ª Aplicação - Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil

Enviada em 07/07/2020

Desde o Iluminismo, sabemos - ou deveríamos saber - que temos o direito de exercer qualquer crença e o dever de combater as “sombras” da intolerância religiosa. Nessa conjuntura, é notório que, no Brasil, ainda persiste a austeridade, rigidez para com o próximo, em relação às crenças, com enfoque nas religiões de matriz africana, o que configura um retrocesso na nossa sociedade. Sendo assim, não só a formação historicamente desigual, mas também a falta de conhecimento sobre tais devoções, caracterizam a séria problemática da intolerância.

Precipuamente, no século XVI, a colonização brasileira moldou uma estrutura que desvalorizava o negro e sua crença, em detrimento do branco e o catolicismo, formando um senso comum preconceituoso que aflorou a violência - física, moral, psicológica - contra africanos e suas religiões. Nesse aspecto, o romancista Gonçalves Dias, enfatizou no seu poema “Canção do exílio”, a imagem de uma pátria perfeita. No entanto, tendo em vista a intolerância presente no Brasil, é notório que a “beleza”  do país permaneceu apenas no papel.

Outrossim, no Brasil, a ignorância relativa às religiões, tais como, islamismo ou candomblé é nociva aos direitos desses povos de exercer sua crença, além de demonstrar falta de conhecimento da maioria dos brasileiros sobre os elementos culturais do seu próprio país, haja vista a intensa miscigenação. Sob esse aspecto, Oscar Wilde afirmou que “o primeiro passo é o mais importante na evolução de um homem ou nação”. Dessa maneira, devemos dar o “primeiro passo” em direção a uma maior alteridade - reconhecimento do diferente - no nosso país.

Em suma, a intolerância religiosa é, portanto, uma problemática séria e deve ser amplamente combatida. Nessa ótica, cabe ao Ministério da Cultura e Educação (MEC), instituir nas escolas o estudo das religiões e culturas que compõe o nosso país, por meio da mudança na grade curricular que seria posta em votação na esfera legislativa, a fim de que o povo brasileiro não viva a realidade das “sombras”.