ENEM 2016 - 1ª Aplicação - Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil

Enviada em 14/07/2020

Em uma breve análise das condutas opressoras da Inquisição, instituição católica medieval, pode-se externar os nocivos efeitos ocasionados pela intolerância religiosa. Nesse viés, sobretudo no Brasil contemporâneo, tal descaso, majoritariamente, relaciona-se com o preconceito racial e com a predominância de uma educação incapaz de propagar a essencialidade da diversidade cultural.

Em primeiro plano, combater o racismo brasileiro - umas das sequelas da escravidão no período colonial - robustece a atenuação do preconceito concernente aos princípios religiosos. Exemplifique-se, pois, 61% dos ataques denunciados e identificados envolverem as religiões de matriz africana, consoante o site G1. Nesse enfoque, o desrespeito evidenciado caracteriza um golpe à dignidade cidadã, uma vez que o Artigo 5° da Constituição Federal assegura a liberdade de crença e também importuna o legado étnico e cultural de tais doutrinas espirituais.

Em segundo plano, a preponderante omissão da laicidade em escolas compactua com o desprezo da fé alheia. Nessa perspectiva, assim como o Renascimento Cultural intensificou a autonomia de divergentes cultos, o âmbito educacional vigente pode disseminar a imprescindibilidade da pluralidade religiosa na sociedade e, portanto,  tornar-se palco de respeito à heterogeneidade. Nesse sentido, tal fato consolida a ideia do filósofo Immanuel Kant, a qual o homem é aquilo que a educação faz dele.

Frente aos desafios dissertados, urge, por conseguinte, o papel do Ministério da Justiça e da Segurança Pública atentar-se aos casos de discriminação racial associada à repressão religiosa, por meio da ampliação de ouvidorias específicas e ênfase em investigações, a fim de mitigar tais crimes. Além disso, convém ao Ministério da Educação a inserção da disciplina de Religião no projeto político pedagógico das escolas nacionais, com a didática das díspares crenças existentes, principalmente as derivadas da África, com a finalidade de, possivelmente, abrandar a hostilidade e promover a eminente equidade social.