ENEM 2016 - 1ª Aplicação - Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil

Enviada em 08/07/2020

A Revolta dos Malês, ocorrida na Bahia oitocentista, foi uma rebelião de escravos e ex-escravos islâmicos que lutavam pelo direito de professarem a religião muçulmana no Império do Brasil. À vista disso, denota-se que as religiões não alinhadas à devoção do Estado, que era oficialmente católico, enfrentavam grandes dificuldades para manifestarem-se. Nesse sentido, esperava-se que cenários de intolerância religiosa, como o vigente na Bahia oitocentista, seriam coibidos com advento da Constituição de 1891, que garantia  a laicidade do Estado e a liberdade religiosa no país. Entretanto, observa-se presente, na contemporaneidade, diversos entraves para várias crenças no país, como a sobreposição histórica de certas doutrinas em cima de outras e preconceitos com credos distintos.

A priori, deve-se considerar que na formação da sociedade brasileira ocorreu a sobreposição da cultura européia, principalmente a religião, frente aos nativos e escravizados, que eram majoritariamente africanos, contribuindo para que culturas distintas a dos colonizadores fossem vistas como inferiores na atualidade, segundo o livro “Casa Grande e Senzala”, do escritor Gilberto Freyre. Destarte, conjunturas presentes na obra literária “A Utopia”, escrita pelo inglês Thomas More, em que a liberdade religiosa predomina na sociedade utopiana, parecem inatingíveis, pois o preconceito estaria intrínseco à nação. Todavia, certas medidas ao serem aplicadas à grade curricular dos estudantes brasileiros poderiam apaziguar esse mal deveras nefasto na posteridade, tornando o Brasil mais democrático e, dessarte, melhorando a qualidade de vida de pessoas que padecem dessa condição.

Ademais, faz-se necessário analisar o altíssimo número de boletins de ocorrência referentes à intolerância religiosa no país: 3969, apenas no ano de 2019, de acordo com a Polícia Civil. À luz disso, compreende-se que o preconceito com as mais diversas religiões continua presente no século XXI. Sob esse mesmo prisma, a frase célebre do filósofo Voltaire, “O preconceito á uma ideia que não passou pela razão.”, ilustra como a questão deve ser combatida- pois, desse modo, mais pessoas irão atingir a “maioridade intelectual”, termo cunhado pelo filósofo Immanuel Kant, em que as pessoas buscariam cada vez mais o desejo de conhecimento e, dessa maneira, a sociedade ascenderia como um todo.

Portanto, é indubitável que a intolerância religiosa deve ser combatida e extinta na nação. Para isso, cabe ao Ministério da Educação decretar que uma semana do ano letivo será destinada apenas para que discussões, filmes e peças teatrais, acerca das diversas culturas e religiões diversas presentes no país, ocorram nas escolas públicas do país. Nessa lógica, créditos escolares podem ser fornecidos para alunos que desenvolverem as melhores contribuições para essa semana cultural. Assim, raízes históricas e contemporâneas preconceituosas tendem a ser erradicadas do Brasil.