ENEM 2016 - 1ª Aplicação - Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil

Enviada em 15/07/2020

Cultura da intolerância

No livro ‘‘O conto da Aia’’, de Margaret Atwood, é apresentada uma realidade distópica na qual um governo teocrático cristão, por meio da violência e repressão, restringe a liberdade da sociedade. Nesse contexto, destaca-se, no mundo hodierno, a presença da intolerância religiosa, que origina diversos conflitos e desavenças entre os indivíduos da sociedade mundial. Urge, então, a necessidade de medidas que visem à minimização dessa prática.

A princípio, é válido ressaltar que, de acordo com a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH), o Estado tem a responsabilidade de oferecer, por meio da concessão de direitos, como liberdade e segurança, uma vida digna a todos. Entretanto, tendo em vista que o número de casos de violência por intolerância religiosa, no Brasil, cresce exponencialmente, é notório o desacordo entre o documento e a realidade do país. De acordo com o filósofo Jean Paul Sartre, todas as manifestações de violência impactam negativamente a sociedade. Nesse sentido, como consequência dessa intolerância, diversos esteriótipos são criados, impactando a política, o mercado de trabalho e a cultura.

Ademais, salienta-se a influência do fardo histórico colonial em práticas de repressão religiosa no mundo contemporâneo. No livro ‘‘Casa Grande & Senzala’’, de Gilberto Freyre, é evidenciado que a miscigenação entre índios, negros e brancos ocorreu de maneira cordial e pacífica. No entanto, em contraste com o  relato do sociólogo, o que de fato marcou esse período histórico foram as agressões e as imposições da Igreja Católica sobre os costumes e religiões afro-descendentes e indígenas. Isso ocorreu de forma generalizada e arraigou preconceitos na sociedade que perduram até na contemporaneidade, a exemplo da discriminação cristã sobre o Candomblé. Assim, põe-se em evidência a importância da educação e conscientização quanto a essa temática.

A intolerância religiosa é, portanto, uma violação dos direitos fundamentais à vida e está presente, no Brasil, desde a colonização. Para garantir dignidade a todos e, também, desmistificar esse paradigma de discriminação, é imprescindível a mobilização do Estado. Cabe a ele a responsabilidade de, por meio de investimentos na educação e, simultaneamente, pelo uso das ferramentas midiáticas, conscientizar a população brasileira quanto à laicidade do país e sua importância para a manutenção da sociedade, mercado de trabalho e, também, para o desenvolvimento cultural. Dessa forma, torna-se possível a minimização desse preconceito e, consequentemente, a obediência  à DUDH.