ENEM 2016 - 1ª Aplicação - Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil

Enviada em 15/07/2020

A Constituição Cidadã de 1988 garante que todos os indivíduos tenham liberdade de crença religiosa. Contudo, na prática, os homens não são livres para professarem sua fé, uma vez que a intolerância religiosa é objeto comum de manifestação da indiferença entre as pessoas no contexto atual. Nesse sentido, aspectos relacionados às raízes históricas e à negligência governamental devem ser analisados.

Em primeiro lugar, é inegável que os acontecimentos históricos influenciam na formação do seio social, visto que muitos são induzidos pela cultura enraizada historicamente. Para exemplificar, na Alemanha nazista, os judeus foram duramente repreendidos e mortos em campos de concentração - por divergirem de católicos e protestantes que dominavam o país durante o regime. Desse viés, o preconceito estabelecido no passado ainda determina a forma como as pessoas são tratadas, demonstrando, de forma clara, que a diversidade religiosa não é encarada positivamente pelos indivíduos.

Em segundo lugar, é importante analisar a improficiência governamental e o seu poder de reforçar a intolerância presente na sociedade. Sob a perspectiva do sociólogo Zygmunt Bauman, a era atual vive uma modernidade líquida, onde nada é feito para durar. Desse viés, a falta de posicionamento para enfrentar essa problemática é um fator que dificulta a noção de cidadania, aceitação das diferenças e, principalmente, compactua com as relações líquidas e indiferentes na meio social. Além disso, é válido mencionar a persuasão da postura estatal no cotidiano das pessoas e, por esse motivo, é essencial que normas eficientes de combate à intolerância sejam tomadas.

Com base no exposto, novos métodos devem ser incluídos para que essa realidade seja revertida. Logo, concerne ao Governo Federal, em parceria com o Ministério dos Direitos Humanos, articular e desenvolver formas de trabalhar o conceito de diversidade religiosa no Brasil - por meio de propagandas midiáticas que abordem a importância de refletir sobre esse problema na atualidade e de palestras escolares - a fim de instruir os indivíduos sobre a necessidade de respeitar o outro e suas divergências. Ademais, é essencial que o Poder Judiciário, guardião da Constituição, assegure que os direitos protocolados das pessoas não sejam violados - por meio de normas concretas de punição contra a violência verbal e física que contrariam a liberdade religiosa - visando a transformação do meio social para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.