ENEM 2016 - 1ª Aplicação - Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil

Enviada em 10/07/2020

Embora a liberdade de crença religiosa seja uma das garantias da Constituição Federal do Brasil, vários episódios de violência por motivos religiosos continuam sendo notificados ano após ano. A título de exemplificação, no ano de 2013, dados divulgados pela Secretária de Direitos Humanos informavam que 20% das denúncias de intolerância religiosa envolveram violência física. Portanto, é notório que as leis não tem sido o suficiente para garantir a liberdade religiosa e por isso novas medidas precisam ser tomadas para evitar que essa problemática continue ocorrendo.

A princípio, vale ressaltar que a intolerância religiosa está presente no país desde a sua descoberta. Junto com os colonizadores portugueses diversos jesuítas vieram para o Brasil com a intenção de catequisar os índios, o que demonstra desrespeito com os nativos pois eles já tinham suas crenças, além disso, ocorreu também uma forte opressão religiosa com os escravos africanos e a construção de uma imagem negativa sobre as religiões africanas. Esse pensamento perdurou até os dias atuais, um exemplo disso é o fato de que a maior parte das denúncias de intolerância religiosa divulgadas pela Secretária de Direitos Humanos foram contra religiões Afro-brasileiras. Seguindo está linha de pensamento, é válido afirmar que este é um problema que está enraizado nos brasileiros, sendo necessário ações que contribuam para a desconstrução desse pensamento discriminatório.

Outro caminho a ser tomado para combater a intolerância religiosa é aprender com o passado. É necessário lembrar que o ódio a um determinado grupo religioso foi uma das causas do maior genocídio do século XX, resultando na morte de mais de 6 milhões de pessoas: o holocausto. Embora o cenário atual esteja distante desse fato histórico, é importante deixar claro que essas milhões de mortes foram causadas por ódio e discriminação, os principais motivos que levam a prática da intolerância. É inadmissível que mesmo após um acontecimento histórico como este que manchou a história da humanidade, ainda ocorram casos de violência com os mesmos motivos que levaram ao holocausto.

Torna-se evidente, portanto, que um dos caminhos para contornar essa situação é educando e ensinando as pessoas sobre as consequências da prática da intolerância religiosa. Segundo o filósofo Immanuel Kant, o homem é aquilo que a educação faz dele, seguindo essa ideia a melhor maneira de erradicar esse pensamento discriminatório seria educando as pessoas desde a infância por meio de palestras nas escolas durante o ensino fundamental e médio, sendo estas promovidas pelo Ministério da educação em parceira com as escolas privadas e particulares, garantindo que as crianças e os adolescentes cresçam com a consciência de que é inadmissível a prática de violência contra a crença de outras pessoas.