ENEM 2016 - 1ª Aplicação - Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil

Enviada em 15/07/2020

Na obra “Utopia”, do filósofo Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e liberdade de culto. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é oposto ao que o autor prega, uma vez que a intolerância religiosa vigente é uma barreira, a qual dificulta a concretização dos planos de more. Nesse sentido, cabe ressaltar as causas dessa problemática e os caminhos para combatê-la.

A princípio, é fulcral pontuar que a intolerância religiosa deriva da visão etnocêntrica que a sociedade foi construída, haja vista que com os processos de expansão, tal como a Colonização da América, a religião da metrópole era imposta a colônia. Com isso, muitas religiões não cristãs eram duramente reprimidas. Esse infeliz cenário perdura até os dias atuais, considerando-se que, segundo dados da Secretaria de Direitos Humanos, as religiões afro-brasileiras são as que mais sofrem preconceito. Logo, é inaceitável que um erro histórico de mais de 500 anos cause tamanho impacto social, de modo a privar os indivíduos de seus direitos essenciais.

Ademais, é imperativo ressaltar a falta de informação como promotora dessa problemática, haja vista que religiões com menos adeptos encontram-se cercadas de estereótipos que precedem a discriminação. De acordo com o filósofo Kant, a educação é o principal fator de formação humana. Partindo desse pressuposto, se os indivíduos não são ensinados a respeitar e não tem conhecimento acerca das diversas opiniões, principalmente na escola e na família, ele crescerá com uma visão intolerante. Logo, o melhor caminho para combater a intolerância religiosa é o conhecimento acerca das diversas religiões.

Em suma, urge a adoção de estratégias para reverter esse panorama. À vista disso, o Ministério da Educação deve fornecer palestras e peças teatrais que abordem as diferenças religiosas e o respeito a elas com pais e alunos e, além disso, deve usar as redes sociais para expor caso de intolerância religiosa e suas consequências. Isso deve ser feito por meio da criação de uma junta em cada Estado, com a presença de sociólogos e voluntários de diferentes crenças. Espera-se, com isso, sensibilizar e informar a população acerca dessa temática e, assim, a coletividade alcançará a utopia de More.