ENEM 2016 - 1ª Aplicação - Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil
Enviada em 11/07/2020
“[…] É que Narciso acha feio o que não é espelho”. A frase citada trata-se de um dos versos da música “Sampa”, escrita por Caetano Veloso. Narciso, personagem de Caetano, ficou marcado na filosofia porque possuía uma auto-estima tão grande que tudo que era externo não o agradava. Análogos ao egocentrismo de Narciso são os dos religiosos brasileiros, que, infelizmente, acreditam que qualquer religião que não seja a deles é errada. Isso ocorre por diversos motivos, como, o preconceito e a falta de recurso das pessoas menos favorecidas para lutar por respeito religioso.
Primeiramente, vale destacar que o preconceito está diretamente relacionado com a falta de conhecimento sobre as diversidades das religiões do povo brasileiro. No século XX o ex presidente da África do Sul, Nelson Mandela, afirmou: “A educação é a arma mais poderosa que se pode usar para salvar o mundo”. Além disso, é possível estabelecer que o mundo só terá paz quando houver tolerância em todas as áreas, incluindo a religiosa. Logo, utilizar a educação como uma ferramenta para ensinar a população, principalmente as atuais crianças, sobre a importância de respeitar todas as crenças é imprescindível para um país religiosamente desenvolvido.
Em segundo lugar, é importante lembrar que, de acordo com a secretaria de direitos humanos, as religiões afro-descendentes são as mais descriminalizadas e sozinhas não conseguirão lutar por tolerância. Conforme dito pelo ativista estadunidense Martin Luther King: “Quem aceita o mal sem protestar coopera com ele”. Assim, fica evidente que as pessoas que não lutam em prol de um respeito para todos automaticamente, apesar de ser de maneira indireta, contribui para que a descriminação prevaleça na sociedade. Logo, não basta apenas respeitar, é preciso lutar para que todos sejam respeitados.
Portanto, a fim de combater a intolerância religiosa no Brasil, a secretaria da educação deve ensinar as atuais crianças sobre todas as religiões, por meio de aulas específicas que ensinem sobre todas as áreas que é preciso para vencer o preconceito, como a história e os costumes das diversas crenças da população brasileira e ainda instruir os alunos sobre como ajudar e lutar em prol dos direitos de culto das pessoas que são mais afetadas com o preconceito religioso -como aquelas que possuem crenças com raízes afrodescendentes-. Assim, os atuais adultos não serão intolerantes e as pessoas deixarão de achar feio o que não é espelho. Logo, fatos como o de Narciso poderão ficar apenas na filosofia.