ENEM 2016 - 1ª Aplicação - Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil

Enviada em 12/07/2020

A sociedade brasileira é tipicamente religiosa. Falar sobre sua realidade implica considerar sua formação histórica (jesuítas, escravos e imigrantes), é falar sobre diversidade de crenças e também de intolerância religiosa. Um estudo realizado pela Secretaria dos Direitos Humanos revela que, em 2013, houve, aproximadamente, 2 denuncias de intolerância religiosa por semana e dessas 20% envolviam violência física. Para combater essa realidade e promover uma sociedade mais respeitosa e coesa, há caminhos como adotar o estudo religioso neutro nas escolas e combater a individualidade.

Para que a inserção do estudo religioso nas escolas públicas seja eficaz no combate a intolerância, esta não deve romper com a laicidade da instituição. Isso porque, um ambiente com liberdade religiosa é um ambiente neutro, mas não necessariamente anticlerical. É nesse ponto que se encontra a principal problemática do ensino religioso nas escolas: a ausência de profissionais capacitados capazes de  fazer uma analise religiosa da sociedade sem atribui-la à uma religião, ou seja, fazer com que o ensino religioso não se converta em uma pregação. Por isso, muitos estudiosos da área, como Eulálio Figueira, cientista religioso e coordenador do curso na PUC-SP, acreditam que os profissionais adequados para esse ensino seriam aqueles formados em ciência da religião, capacitados para fazer uma analise comparativa das religiões, abrangendo não somente a religião predominante do pais. A disseminação do conhecimento sobre as diversas crenças do mundo desconstruiria o preconceito e os estereótipos e formaria indivíduos mais tolerantes.

Outro desafio ao combate a intolerância religiosa está no estranhamento do indivíduo com o diferente. Até certo ponto, esse estranhamento é algo natural, porém ele passa a ser um problema quando um dos indivíduos se sente ameaçado pelo outro e passa a querer se afirmar. Isso leva ao crescimento do individualismo, um grande empecilho a tolerância religiosa, pois faz com que o indivíduo não se veja como parte da sociedade, mais especificamente, não se veja no outro, ou seja, limita a empatia humana. O individualismo atua criando contrastes, quase como um mecanismo de autopreservação: “eu, superior, versus você, diferente e, consequentemente, inferior”.

Portanto, os caminhos para o combate a intolerância religiosa são através de um ensino laico sobre a religião e por meio do estímulo a empatia. Para que este ultimo caminho aconteça, a secretária de Educação junto com a secretaria de Direitos Humanos deve promover uma política publica nacional por meio da qual palestras sobre o tema sejam ministradas, tanto em escolas quanto em templos religiosos, levando a indivíduos de diversas idades conhecimento sobre diversidade religiosa e um lembrete de que, independente da crença, todos são seres humanos.