ENEM 2016 - 1ª Aplicação - Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil
Enviada em 15/07/2020
Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que combater a intolerância religiosa apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto, infelizmente, devido não só à negligencia governamental, mas também ao preconceito da sociedade. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos.
Antes de tudo, é preciso entender que, a perseguição religiosa deriva da baixa atuação dos setores governamentais, ou seja, no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Segundo Aristóteles, a poética deve ser utilizada de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio seja alcançada na sociedade. De maneira análoga, a passividade do governo nacional diante das situações atuais, cede espaço para o crescimento de comportamentos intolerantes dentro da comunidade. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.
Outro ponto revelante, nessa temática, é o conceito de Émile Durkheim, que explica o fato social por consequência à maneira coletiva de agir e de pensar. Ao seguir essa linha de pensamento, observa-se que a preparação do preconceito religioso se encaixa na teoria do sociólogo, uma vez que se uma criança vive em uma família com esse comportamento, tende a adotá-lo também por conta da vivência em grupo. Por isso, lamentavelmente, os atos de violência e opressão por motivos religiosos, continuam perpetuando-se na sociedade brasileira.
Por fim, para combater a intolerância religiosa no Brasil são necessárias alternativas concretas que tenham como protagonistas a tríade Estado, mídia e escola. O Estado, em parceria com a mídia nacional, deverá desenvolver campanhas educativas — por meio de cartilhas virtuais e curta-metragens informativos a serem veiculados nas mídias sociais — a fim de orientar a população a respeitar as diferentes culturas religiosas. Por sua vez, as escola, instituição formadora de valores, junto às Ong’s, deve promover palestras a pais e alunos que discutam essa situação de maneira clara e eficaz, com o intuito de amenizar a intolerância religiosa. Outras medidas devem ser tomadas, mas, como disse Oscar Wilde: “O primeiro passo é o mais importante na evolução de um Homem ou nação.”