ENEM 2016 - 1ª Aplicação - Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil

Enviada em 14/07/2020

Na obra “Utopia”, escrita por Thomas More, é descrita uma sociedade perfeita em que não há conflitos, na qual os habitantes buscam o bem comum, tendo como base o respeito mútuo entre as diversas religiões. Fora da ficção, tal realidade não é efetivada no hodierno cenário global, sobretudo no brasil, posto que atitudes de intolerância religiosa são frequentes. Isso ocorre ora devido à negação de convívio com o diferente, ora em decorrência de preconceitos inerentes à formação histórica do país.

A priori, é imperativo relacionar a inaceitabilidade de conviver com o diferente com o conceito de “Cegueira Moral” de Zygmunt Bauman. Segundo o sociólogo polonês, a maldade na contemporaneidade não se restringe apenas à violência física, mas à insensibilidade e julgamento para com o outro. Nessa perspectiva, não aceitar a diversidade e tratar o outro como inferior acarreta a perda do bem estar social e uma tensão de convívio entre as diferentes religiões, agravando-se em casos de violência física e assédio moral. Tais atos ocorrem em virtude da formação mental do cidadão no inicio da vida, em que, desde cedo, com a observação de atitudes preconceituosas e o não estímulo à tolerância por meio da educação básica torna tal cenário perpétuo.

A posteriori, é imperioso concatenar o preconceito inerente à formação do Brasil com o conceito de Darwinismo Social, formulado por Herbert Spencer. Conforme o sociólogo inglês a cultura europeia seria a única cultura correta e serviria como parâmetro para as demais, tidas como não evoluídas. Sob esse viés, tendo como base hegemônica o eurocentrismo no processo de formação do país, as crenças contrárias foram alvo de discriminação por suas religiões diferirem do cristianismo predominante,sendo inferiorizadas. Tal visão permanece vigente, já que religiões indígenas e africanas são alvos de preconceitos por grande parte da população.

Depreende-se, portanto, a essencialidade de mudanças para tornar possível a tolerância religiosa no país. Necessita-se, urgentemente, que o Tribunal de Contas da União (TCU) direcione capital que, por intermédio do Ministério da Educação, seja revertido na implementação de disciplinas focadas na formação cultural brasileira em escolas públicas. Isso deve ser feito por meio da contratação de sociólogos que busquem induzir debates e apresentações dos alunos sobre as variedades religiosas no Brasil e a importância da miscigenação cultural do país. Além disso, é imprescindível a realização de palestras por representantes das respectivas religiões a respeito de suas histórias e princípios. Com a finalidade de formar os jovens com uma mentalidade aberta e adaptada a respeitar e lidar com o diferente, independentemente de sua crença. Dessa forma, a sociedade brasileira se assemelhará com a comunidade descrita por Thomas More, e o respeito mútuo entre as religiões será predominante.