ENEM 2016 - 1ª Aplicação - Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil
Enviada em 14/07/2020
A Constituição Federal assegura, em seu artigo quinto, a inviolabilidade à liberdade de consciência e de crença, o que garante o livre exercício dos cultos e liturgias. No entanto, há fatores que dificultam a plenitude dessa prerrogativa na contemporaneidade brasileira, evidenciados pela permanência da intolerância religiosa na sociedade. Diante disso, é imprescindível que caminhos para solucionar tal questão sejam impostos, já que, entre as problemáticas que ocasionam tal aspecto, encontram-se o legado histórico e cultural herdado pelo país, bem como a falta de investimentos, por parte do poder público, no combate a essa temática,
Em primeiro plano, é válido salientar que a intolerância religiosa é um problema existente no Brasil desde os séculos passados. Com isso, torna-se necessário que a sociedade hodierna não seja uma reprodução das instituições coloniais, como disserta Gilberto Freyre, na obra “Casa-Grande e Senzala”, na qual o autor ensina que a realidade da nação, até o século XIX, estava compactada na visão eurocêntrica do mundo, cuja religião oficial era católica, e as demais crenças, sobretudo africanas, eram marginalizadas e vistas como inferiores.
Ainda nesse viés, aliado a esse contexto, por mais que ações já tenham sido tomadas para combater tal conjuntura, como por exemplo, na lei criada, em 1940, que torna crime, mediante pena, o desrespeito ou pertubação a quaisquer práticas religiosas, o Estado ainda falha nesses investimentos. Por conseguinte, devido a esse descaso, muitos se veem no direito de denegrir e zombar de outras religiões, somente pelo fato de não compactuarem com as mesmas ideias, afinal, conforme exposto pelo portal de notícias do “G1”, uma menina de apenas 11 anos, foi ferida com uma pedra na cabeça, em 2011, no Rio de Janeiro, por um grupo de evangélicos, ao deixar um culto de Candomblé.
Em suma, diante dos conflitos abordados, urge que medidas sejam tomadas o quanto antes, com o fito de melhorar o contexto no qual essa parcela se encontra inserida. Portanto, cabe ao Estado, como mantenedor da ordem, progresso, leis e bem-estar civilizatório, investir ainda mais na criação de projetos que demostrem a importância da sociedade se conscientizar acerca do pluralismo religioso existente no Brasil. Tal medida poderia ser realizada por meio da alocação de recursos do Ministério da Economia, bem como pela divulgação de propagandas nos diversos meio midiáticos existentes, como TV e redes sociais, com o intuito de diminuir os elevados índices de intolerância religiosa no Brasil. Dessa forma, pode-se almejar uma sociedade mais pacífica e que garanta a legitimidade da Constituição de 1988 frente às diversas formas de se expressar na contemporaneidade.