ENEM 2016 - 1ª Aplicação - Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil
Enviada em 14/07/2020
Chegando ao Brasil, em 1500, Pero Vaz de Caminha escreveu uma carta ao rei de Portugal, dizendo como os nativos indígenas tinham potencial para seguirem a fé católica. A partir disso, então, houve neste país um processo de aculturação, movido por uma intolerância religiosa, pois segundo os colonizadores portugueses, todas as crenças que não seguissem a católica eram imundas e deveriam ser extinguidas. Paralelamente a esse contexto, é de conhecimento que ainda há grande preconceito entre as diversas religiões no Brasil, fazendo necessário que caminhos sejam seguidos para combatê-lo, com o intuito de manter o direito de liberdade e a cidadania.
Primeiramente, vale ressaltar que o pensamento português de que a religião cristã é a única verdadeira permanece entre os cidadãos brasileiros. Isso é um dos maiores motivos de intolerância religiosa no Brasil, pois, de acordo com a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, as crenças provindas de outras matrizes são as maiores vítimas de ataques. Tais ideais são perigosos e precisam ser combatidos, pois são configurados como crimes de ódio e ferem tanto a Constituição brasileira quanto a direito humano de liberdade.
Entretanto, tal problemática está longe de ser resolvida no Brasil, porque os caminhos que seguimos a fim de superá-la são inconvenientes. Em consonância ao Instituto Diretor Prova Brasil, 66% das escolas públicas brasileiras oferecem ensino religioso e 22% têm símbolos, objetos e/ou imagens religiosos expostos. Esses atos prejudicam os alunos que não compartilham a fé das instituições, pois não se sentem acolhidos por elas. Ademais, as crianças e os jovens se sentem tão acostumados a presenciarem ocasiões assim, que discriminam outras que não seguem os “padrões” religiosos. Portanto, nota-se que o ensino religioso não é o caminho correto no combate à intolerância religiosa, pois não é administrado de maneira correta, e acaba deteriorando a coesão social, idealizada por Durkheim, o qual dizia que a religião tem o papel primordial de manter a cidadania, e não o contrário.
Enfim, tendo tais fatores em vista, novas medidas são necessárias no combate à intolerância religiosa no Brasil. Inicialmente, é dever do Ministério da Educação rever os planos pedagógicos das escolas públicas, através de reuniões e pesquisas, com o intuito de promover disciplinas como História da Religião ou Antropologia, em vez de um ensino religioso exludente. Dessa maneira, será possível envolver questões éticas no desenvolvimento educacional de todas as religiões, e assim os alunos serão direcionados ao respeito com crenças divergentes. Além disso, o Governo Federal poderá, por meio de reuniões, discutir a criação de uma emenda constitucional que aplique punições mais severas aos crimes de ódio. Com isso, caminharemos rumo a um país mais seguro para a diversidade religiosa.