ENEM 2016 - 1ª Aplicação - Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil

Enviada em 15/07/2020

Desde chegada dos portugueses ao Brasil, indivíduos oriundos da África também embarcaram no país. Com isso, diferentes culturas foram enraizadas e houve o surgimento de pessoas adeptas a religiões de matrizes africanas. Contudo, mesmo fazendo parte da história brasileira sofre preconceito e, por conseguinte, emerge a necessidade de educar a população sob tais doutrinas a fim de torna-los cidadãos tolerantes. Nesse contexto, convém analisarmos a deficiência do modelo social no Brasil e as principais consequências para nossa sociedade.

Em primeiro lugar, é importante ressaltar que a constituição de 1988 prevê liberdade de credo e estado laico. Entretanto isso não ocorre no Brasil, visto que o congresso nacional é formado em maioria por religiosos cristãos e, sobretudo, defensores de seus valores morais em detrimento ao bem comum. De maneira análoga, países progressistas que aliam a tolerância religiosa a gestão pública extraem melhores resultados no desenvolvimento, como por exemplo o Japão, um dos países com o menor índice de criminalidade no mundo. O japonês aprende desde cedo a praticar empatia e ações filantrópicas. Tais iniciativas promovem uma sociedade unida aos cuidados e interesses que possuem em comum, não sendo a religião o motor principal.

Conquanto, é importante ressaltar no Brasil a questão do preconceito às religiões africanas. Não raramente tempos conhecimento de ações intolerantes, como por exemplo o apedrejamento de uma menina de 11 anos no subúrbio do Rio de Janeiro após sair do culto de candomblé. A ação intolerante é resultado da visão Eurocêntrica existente desde os tempos coloniais. Nesse período os jesuítas foram responsáveis pela catequização de índios com fito principal de convertê-los a novos fiéis e expandir o catolicismo. Não só as crenças indígenas, mas também todas as outras foram suprimidas a visão unilateral europeia que se posicionava como detentora da “verdade” e, em virtude disso, tudo que não pertencia a igreja católica era considerado errado e negativo.

Portanto, é mister que o Estado tome providências para amenizar o quadro atual. Para educar a população e diminuir a intolerância religiosa, urge que o Ministério da Educação crie, por meio de verbas governamentais, projetos educacionais que informem e conscientizem a comunidade a respeito das religiões e advirtam o impacto social da intolerância. Esses projetos poderão ocorrer através de seminários escolares realizados por professores e antropólogos, com o propósito de construir um entendimento técnico a respeito das doutrinas pregadas em cada religião, eximindo o julgamento moral. Somente assim será possível combater o desrespeito de muitos e, ademais, romper com a visão eurocentrista adquirida desde os tempos coloniais e progredir para uma sociedade mais empática.