ENEM 2016 - 1ª Aplicação - Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil
Enviada em 15/07/2020
“Bob Marley morreu porque além de negro era judeu”, esse trecho de música do cantor brasileiro Gilberto Gil evidencia que a intolerância religiosa é uma problemática, ainda hoje, vívida na sociedade. Fato que condiciona a disseminação de discursos de evangelização e demonização daquilo que não está de acordo com o que foi imposto socialmente como correto. Nesse viés, cria-se um paradoxo em uma sociedade constitucionalmente laica.
Primordialmente, a construção da civilização foi fundamentada na intolerância a tudo que não atendia aos padrões eurocêntricos. Diante desse cenário, a chegada dos europeus ao território americano foi regado a suplantação da sua cultura e religião, com as missões jesuíticas, ignorando, desse modo, a existência de outras crenças e divindades as quais os povos que ali residiam depositavam a sua fé. Fato que dialoga ,de modo paralelo, com as bancadas que compõem o poder público brasileiro, nas quais existe a presença da bancada Evangélica, a qual representa os interesses da população brasileira com base nas crenças dos políticos evangélicos que a compõe, não respeitando, portanto, a laicidade do Estado, uma vez que não há a representação de outras religiões.
Somado a isso, o maniqueísmo é um catalisador importante nesse processo de discriminação. Dentro dessa perspectiva torna-se necessário evidenciar alguns fatores que influenciam a rotulação de bom e mau. Um exemplo a citar é o livro Casa Grande e Senzala, do sociólogo brasileiro Gilberto Freyre, no qual é elucidado que a ideologia que se sobressai socialmente é a do dominante. Fato que repercute na intolerância para com as religiões de matriz africana, uma vez que estas foram demonizadas e inferiorizadas pelo povo cristão, a casa grande, e o cristianismo foi visto e consolidado como algo superior e “do bem”. Ao corroborar, portanto, na naturalização de frases como “Deus é mais” que normalmente é dita com um tom de aversão a tudo aquilo que faz referência as religiões afro- brasileiras.
Portanto, depreende-se, que a intolerância religiosa é uma problemática que apesar de nova, é arcaica.Nesse sentido, cabe a mídia promover debates capazes de desconstruir a prevalência de uma religião sobre as demais. Em consonância com o Ministério Público que, por sua vez, compete promover ações judiciais pertinentes contra atitudes individualistas ofensivas à diversidade de crença e a inserção de outras bancadas que representem os interesses de todos os grupos religiosos, uma vez que a religião faz parte da infraestrutura de uma sociedade, para que desse modo a intolerância seja extinta, mesmo que de forma gradativa.