ENEM 2016 - 1ª Aplicação - Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil

Enviada em 25/07/2020

O autor inglês Thomas More, em sua obra ‘‘Utopia’’, descreve uma sociedade ideal marcada pela ausência de conflitos sociais. Contudo, o que se observa na realidade brasileira se opõe ao que More expõe. Tendo em vista que a intolerância religiosa ainda se perpetua, atuando como um problema social que deve ser combatido e que tem raízes históricas e ainda frequente devido à baixa atuação do Estado em tal esfera.

Em primeiro lugar a intolerância religiosa no Brasil tem sua origem vinculada à Colonização brasileira. Os povos nativos tiveram grande parte da sua cultura e dinâmica social dizimada, pois, os europeus colonizadores, inicialmente perseguiam esses e posteriormente, com o advento dos jesuítas no País, convertiam os indígenas ao catolicismo, impondo a cultura européia nos índios. Além disso, com a chegada de escravos africanos durante os séculos XVI e XIX, novas matrizes religiosas convergiram para o Brasil, como o Candomblé, mas estas eram proibidas pela Igreja Católica que afirmava que o papel do escravo era o de servidão e usava dogmas católicos para legitimar a escravidão dos povos negros. Dessa maneira, se faz perceptível a recorrência histórica de tal adversidade no território brasileiro.

Em segundo lugar, tal turbulência continua ativa devido à falta de interferência do Estado para inibir a ocorrência de tal situação. Segundo o filósofo Thomas Hobbes, o Estado é o responsável por garantir o bem-estar da população, entretanto isso não ocorre no Brasil. Devido à falta de atuação das autoridades, a discriminação da pluralidade de religiões oriunda desde a o Período Colonial, ainda se mantém forte no cenário nacional. Desse modo, é de extrema urgência a reformulação da postura estatal.

Portanto, medidas são necessárias para conter o avanço da problemática na sociedade brasileira. Dessarte, com o intuito de mitigar a intolerância religiosa, necessita-se, urgentemente, que o Tribunal de Contas da União direcione capital que, por intermédio do Ministério da Justiça, será revestido em propagandas de incentivos à denúncia daqueles que cometem discriminação acerca da religião do outro, que é um crime segundo a Constituição Federativa de 1988. Sendo assim, será possível instruir melhor a sociedade de que isso é um ato criminoso e que as autoridades podem ajudar a inibir tais atos. Desse modo, será possível atenuar a intolerância religiosa, e a coletividade alcançará a Utopia de More.