ENEM 2016 - 1ª Aplicação - Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil
Enviada em 29/07/2020
O filósofo francês Sartre, defende que cabe ao indivíduo escolher seu modo de agir, visto que é livre e responsável. No entanto, observa-se a irresponsabilidade da sociedade no que tange ao preconceito contra as religiões de outros indivíduos que não compartilham da mesma fé. Dessa forma, o preconceito religioso reflete um cenário desafiador, seja em virtude da incoerência do governo que não exerce seu dever de ser reconhecido como um estado laico, seja pelo individualismo/falta de empatia presente na sociedade contemporânea brasileira.
Em abordagem inicial, vê-se que, a Constituição Brasileira de 1988 descreve como dever do estado a neutralidade no que tange à qualquer tipo de vertente religiosa. Contudo, o que se observa na prática é o oposto do que a lei prega, uma vez que existem contradições, como por exemplo, Cristo representado na moeda oficial brasileira. Segundo pesquisas da Secretária de Direitos Humanos da Presidência da República, as principais vítimas de discriminação religiosa são de vertentes afro-brasileiras. Na esteira dessa ideia, observa-se que em virtude da influência do estado brasileiro, ocorre a normalização de determinadas manifestações religiosas, em detrimento das minorias, como religiões afro-brasileiras.
Além disso, a intolerância religiosa presente na população brasileira, encontra terra fértil no individualismo/falta de empatia. Na obra “Modernidade Líquida”, o filósofo polonês Zygunt Bauman defende que a pós-modernidade é fortemente influenciada pelo individualismo. Em virtude disso, há, como consequência a falta de empatia, pois para colocar-se no lugar do outro é necessário deixar de olhar apenas para si. Essa liquidez que influi sobre a questão da discriminação contra a religião do outro, funciona como um forte empecilho para a sua resolução.
Infere-se, portanto, que a perseguição religiosa é um grande obstáculo a ser removido do caminho para o desenvolvimento. A priori, compete ao Ministério da Educação e Cultura (MEC), com o apoio das escolas públicas e privadas, a elaboração de campanhas educativas que abordem acerca do respeito com a religião do próximo, com o intuito de conscientizar jovens/adolescentes, formando uma geração futura consciente e responsável. Ainda é de responsabilidade do Ministério Legislativo, o cumprimento da lei que considera a intolerância religiosa como um ato criminoso, através da fiscalização e maior rapidez das delegacias nas apurações de denúncias, visando a punição dos agressores. Com essas ações, espera-se reduzir os casos de intolerância religiosa no Brasil.