ENEM 2016 - 1ª Aplicação - Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil

Enviada em 12/08/2020

Há no Brasil, hoje, uma situação de intolerância religiosa com raízes sua história, ex-colônia de Portugal, país extremamente católico. Ademais, as raízes afro-brasileiras e as religiões de matrizes africanas nunca foram bem aceitas pelas elites nacionais, mostrando o lado racista dessa intolerância. Assim, há caminhos viáveis que buscam um maior respeito para com o diferente e desconhecido, entretanto, essas soluções esbarram na cultura de segregação e preconceito característica da nossa sociedade.

O Código Penal prevê detenção e multa para crimes e ultrajes contra a crença do outro. Apesar disso, a violência moral e física notificada é enorme, principalmente contra religiões oriundas de povos africanos. Dessarte, é evidente que a situação está insustentável e deriva parcialmente do fato da sociedade brasileira ser desigual historicamente, separando os grupos por classe, etnia e religião e, consequentemente, alimentando a discriminação e o preconceito.

O escritor francês Victor Hugo escreveu: “A tolerância é a melhor das religiões”. Dessa forma, a frase do século XIX se torna atemporal e retoma a importância da laicidade das instituições nacionais no papel de reforçar o respeito no Brasil. Entretanto, muitas escolares, com a predominância católica no país, obrigam os alunos a rezarem para uma crença muitas vezes diferentes da do aluno. Essa inflexibilidade leva ao estudo da religião realmente não ser um método de ensino, mas sim uma forma de pregar e impor a religião da maioria em detrimento das minorias.

Dado o exposto, urge a necessidade de uma intervenção dos órgãos responsáveis para solucionar esse problema. Primeiramente, o MEC deve fiscalizar as aulas de religião no país, e, caso não haja, impor a laicidade do ensino, adicionando no BNCC a necessidade de se discutir a tolerância com os alunos. Além disso, o Ministério da Justiça deve impedir a negligência das autoridades para com os casos de intolerância, aumentando a fiscalização e as penas sobre quem praticar atos discriminatórios. Dessa forma, criara-se um futura geração mais respeitosa, quebrando as raízes coloniais brasileiras.