ENEM 2016 - 1ª Aplicação - Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil

Enviada em 17/08/2020

Existem, atualmente, diversos conflitos religiosos no mundo, fato que pode ser exemplificado pelas ações do Estado Islâmico, que utiliza uma visão radical do islamismo sunita. Paralelamente a este fato, a Constituição Federal de 1988, norma de maior hierarquia no sistema jurídico brasileiro, assegura a todos que a liberdade de crença é inviolável. Entretanto, ainda há impasses para a concretude desse feito no Brasil, onde vigora a intolerância religiosa, ora pela omissão do Estado, ora por legados históricos. Dessa forma, evidencia-se problemas estruturais históricos e governamentais, o que torna mister expor medidas para desintrica-los.

A priori, é válido analisar que durante a formação do Estado brasileiro, a escravidão e a imposição da religião católica sob os nativos se fizeram presente em parte significativa do processo. Decorrente a este fato, vieram as discriminações e intolerâncias culturais, derivadas de ideologias como superioridade do homem branco e darwinismo social. Tal veracidade  levou que a lógica atual da sociedade brasileira esteja atrelada a um alto nível de intolerância religiosa.  Evidencia-se, dessa maneira, que a dificuldade de prevenção e combate ao desprezo e preconceito religioso mostra-se fruto de heranças coloniais discriminatórias, as quais negligenciam tanto o direito à vida quanto o direito de liberdade de expressão e religião.

Em segundo plano, é importante destacar que a Constituição Federal, promulgada em 1988, em seu conjunto de leis, garante a liberdade de crença. Contudo, tal construção teórica faz-se pouco efetiva em cenário prático, uma vez que há a união entre uma pátria cujo obsoleto ideário ainda prega a supremacia do cristianismo ortodoxo e um sistema educacional em que o estudo acerca das disparidades religiosas é escasso corrobora a cristalização do ilegítimo desrespeito à religiosidade no país. Tal situação revela que o Estado, em destaque o Poder Público, em assegurar medidas que garantam tal liberdade.

Em suma, conclui-se, portante que é indubitável a ação da mídia, a qual, por ser um elemento de informação e persuasão, deve promover a inclusão de propagandas durante o horário nobre, as quais visem a contemplar as diferenças religiosas e o respeito a elas, com o objetivo de romper legados históricos, impregnados no pensamento social, que disseminam a intolerância religiosa. Visando o mesmo objetivo,  o MEC deve conscientizar os jovens, através da inserção de uma disciplina na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), a qual explique sobre as diversas religiões presentes no extenso e destaque a importância do respeito a todas as crenças e, dessa maneira, diminui-se a intolerância religiosa ainda presente no Brasil.