ENEM 2016 - 1ª Aplicação - Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil

Enviada em 17/08/2020

A sociedade ‘‘deixa’’ o Estado ser laico?

A Constituição Federal de 1988 assegura à todos a liberdade de crença. Entretanto, os frequentes casos de intolerância religiosa mostram que os indivíduos não seguem este direito. Além disso, a lenta mudança de mentalidade social e a falsa aparência de harmonia brasileira dificultam cada vez mais a resolução dessa problemática, o que configura em um problema social de extrema influência pejorativa.

Em primeiro plano, é necessário que a sociedade não seja igual à dissertação de Gilberto Freyre em “Casa-Grande & Senzala”. Este, ensina que a realidade do Brasil até o século XIX estava compactada no interior da casa-grande, cuja religião era católica, e as demais crenças – sobretudo africanas – eram marginalizadas e se mantiveram vivas porque os pretos lhe deram aparência cristã, conhecida hoje por sincretismo religioso. No entanto, é inadmissível que haja uma religião que subjugue outra, pois, ser repudiado em um estado laico, não é seguir as diretrizes da Constituição de 88.

De outro modo, o sociólogo Zygmunt Bauman mostra sua visão da sociedade na obra “Modernidade Líquida”, onde o individualismo é uma das principais características da pós-modernidade, sendo assim, a população é incapaz de tolerar diferenças. No Brasil, apesar do multiculturalismo, há quem exija do outro a mesma postura religiosa sendo intolerante àqueles que dela divergem.

Em suma, é indispensável a adoção de medidas efetivas capazes de assegurar o respeito religioso. À vista disso, um caminho que seria adequado para combater essa intolerância é desconstruir o principal problema da pós-modernidade, o individualismo. Também cabe aos cidadãos repudiar o ato de  superioridade às demais crenças e costumes que fazem parte das culturas, por meio de debates nas mídias capazes de desconstruir a intolerância. Ademais, é necessário que o Governo investigue casos de impunidade por meio de fiscalizações no cumprimento de leis, para que assim, talvez, a falsa aparência de harmonia entre as religiões torne-se verdadeira.