ENEM 2016 - 1ª Aplicação - Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil

Enviada em 20/08/2020

“Essa gente não tem lei, nem fé e nem rei, não obedecem a ninguém e não conhecem a imortalidade da alma”. Em um dos primeiros registros enviados pelos navegadores ao rei de Portugal, notava-se um dos problemas sociais que perdurariam até os dias de hoje: a intolerância religiosa, a qual se configura por uma visão preconceituosa diante das crenças de outrem. Nesse contexto, a perpetuação dessa realidade reflete um quadro desafiador para a sociedade brasileira, seja pela carência de uma educação mais sociológica, seja por rastilhos históricos.

Mormente, o primeiro grande desafio a ser vencido é a negligência educacional no que tange à inserção de matérias escolares que abordem a diversidade religiosa do país. Hodiernamente, as escolas preocupam-se em cumprir um currículo pré-estabelecido de matérias e pouco em formar cidadãos que reconheçam a diversidade não só religiosa, mas étnica, racial e sexual do próprio país. A esse respeito, a socióloga, educadora, youtuber e drag queen Rita Von Hunty afirma que disciplinas que abordam questões sociais são incipientes e pouco exemplificativas, a escola foca mais em decorar fórmulas e textos; “muito delta e pouco conhecimento” diz Rita. Destarte, enquanto os educandários brasileiros não formarem cidadãos respeitosos e plenos, a intolerância religiosa continuará.

Outrossim, outro grande fator é a permanência de visões preconceituosas oriundas de eventos históricos. Consoante aos dados do CPS(Centro de Pesquisas Sociais), cerca de 70% das denuncias por intolerância religiosa são realizados por praticantes de religiões de matrizes africanas, o que evidencia a permanência de visões eurocêntricas. Isso ocorre porque desde o período colonial, os portugueses utilizaram-se de africanos escravizados, mas ao mesmo tempo os aculturavam na medida em que impunham o cristianismo, além de maldizer as religiões deles; o que não é incomum, até hoje, ver pessoas associando religiões africanas à feitiçaria, à macumba e às maldições. Tristemente, deve-se romper com esses pensamentos ultrapassados para o combate à intolerância tangente ao credo.

Urge, portanto, caminhos para combater a intolerância religiosa. Para isso, sabe ao Ministério da Educação e Cultura(MEC), inserir uma matéria que trate sobre diversidade religiosa no Brasil na grade curricular do ensino fundamental. Essa disciplina deverá ser lecionada por professores formados em Sociologia ou Filosofia, os quais devem utilizar videos, teatros e trazer representantes de cada religião para conversar com os estudantes e mostrar que não há nada de errado com elas. Dessa forma, com uma educação mais sociológica e cidadã, poder-se-á formar indivíduos críticos que respeitem todas as religiões e, consequentemente, retirar o “eurocentrismo” à longo prazo; indo a favor de uma sociedade mais justa e igualitária.