ENEM 2016 - 1ª Aplicação - Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil
Enviada em 23/08/2020
O processo de colonização do Brasil teve uma grande carga do etnocentrismo europeu no processo de constituição cultural da nação. Assim, diante da pluralidade dos povos que formam a base tupiniquim, ao falar da religiosidade, têm-se influências, principalmente, católicas, evangélicas e da matriz africana. Porém, foi necessária a miscigenação para que pelo menos algo delas ainda permanecessem influente ao decorrer do tempo, pois a herança intolerante persiste. Com isso, a quebra dessa corrente é essencial para exercer a nossa diversidade religiosa livremente.
A princípio, essa continuidade do pensamento da falsa superioridade vem sendo disseminada através da ideia Determinista, que embora ultrapassada serve como argumento do senso comum e, usada por pessoas de grande influência ganha certo peso para determinada parcela da sociedade. Dessa forma, a política é um relevante meio para se readequar aos moldes tolerantes. Isso pode ocorrer porque a autoridade e a capacidade de orientação dela trás consigo a laicidade do Estado e suas normas, as quais servem para refutar o posicionamento de que tal meio, etnia ou período histórico são alegações justificáveis para se engrandecer sobre o outro.
Ademais, o preconceito também surge na falta de conhecimento acerca das outras religiões, fato que nutre a ignorância e propulsiona a criação de barreiras na própria religiosidade do indivíduo. Ou seja, desenvolve-se algo pautado na distorção de algum dogma religioso para defender a sua intolerância. Portanto, a educação, que consiste em ser o instrumento de libertação para Kant, filósofo moderno, torna-se ferramenta essencial para destruição dessa perspectiva limitante. Isto posto, por consequência, ao adquirir o entendimento de como surgiu as diversas expressões espirituais e as suas características, essa mesma compreensão atua como fortalecedor da fé individual ao confirmar a afinidade com tais preceitos e tolerância com as que não.
Contudo, por ser algo enraizado desde a gênese do desenvolvimento do Brasil demanda um longo caminho a ser traçado. Porém, de início faz-se relevante que o poder legislativo endureça as leis acerca da intolerância religiosa, para que se torne mais efetivo o combate. Junto a isso, vale que o Ministério da Educação crie projetos nas instituições educadoras que possam ser levadas às comunidades visando expandir o conhecimento prévio da sociedade e também dos discentes, seja por modo de palestras ou projetos de extensão com o intuito de promover a discussão do tema. Além disso, as prefeituras podem incentivar em suas bibliotecas encontros entre a população e estudiosos no assunto para que haja a instrução através dos livros e das rodas de conversa.