ENEM 2016 - 1ª Aplicação - Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil
Enviada em 30/08/2020
Herança colonial
Se o Brasil tivesse que ser definido em uma única palavra, poucos termos se mostrariam tão apropriados quanto o vocábulo “miscigenação”. A convivência entre diversas etnias ao longo de séculos resultou na formação de um país plural, cuja rica cultura provém do encontro entre povos europeus, africanos e indígenas. Tal aspecto se estende aos mais distintos elementos da identidade nacional – dentre o quais, a religião se destaca como terreno como terreno de diversidade. Entretanto, apesar do caráter laico atribuído ao Estado pela Constituição Federal de 1988, o país ainda registra frequentes episódios de intolerância religiosa, seja contra seguidores de tradicionais credos herdados da cultura europeia, seja contra praticantes de cultos afro-brasileiros.
Em primeiro plano, vale destacar o processo de colonização do país, em que a visão católica foi imposta à população negra e indígena como única possibilidade de “salvação espiritual”. Nesse contexto, se os povos nativos eram catequizados por sacerdotes que vinham para o Brasil encarregados dessa missão – os jesuítas –, indivíduos escravizados na África eram batizados antes mesmo de embarcar nos navios negreiros. Dessa forma pouco democrática, o catolicismo se estabeleceu como religião majoritária e único caminho a ser seguido, já que a prática de outros credos não era permitida.
Mais de cinco séculos após a chegada dos portugueses, essa visão de mundo permanece em grande parte da população, que não considera legítimas quaisquer manifestações religiosas que venham de fora da Igreja Católica. Prova disso são as ocorrências de discriminação religiosa registradas pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, segundo a qual uma denúncia foi feita a cada três dias no período de 2011 a 2014. Segundo o órgão, as principais vítimas são fiéis de religiões afro-brasileiras – estigmatizados devido à associação histórica desses credos com a escravidão. Entretanto, os dados revelam que evangélicos, espíritas e, até mesmo, católicos são alvos da intolerância.
Em suma, o “país da diversidade” ainda não aprendeu a respeitar a liberdade de credo. Diante disso, o Governo Federal deveria promover campanhas midiáticas de conscientização a respeito da tolerância religiosa. Também é fundamental que as escolas promovam atividades extracurriculares, como debates e seminários, para discutir o tema com os estudantes. Talvez, assim, seja possível construir para o futuro um legado diferente daquele que nos foi deixado.