ENEM 2016 - 1ª Aplicação - Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil
Enviada em 09/09/2020
Para perceber que a intolerância religiosa está enraizada na história do país, basta se recordar que no período de colonização os portugueses - cristãos - foram extremamente intolerantes com as crenças religiosas indígenas. Este modelo de sociedade preconceituosa tem com causa não só o desconhecimento da população acerca da diversidade religiosa mas também a percepção individualista dos indivíduos. Esta problemática precisa de caminhos de combate.
Em primeiro plano, a discriminação enfrentada pelos grupos de minorias religiosas é fruto da falta de conhecimento básico sobre a pluralidade religiosa existente. Isso ocorre porque o Estado se omite em educar a sociedade a respeito da importância da diversidade para a cultura nacional. Nessa perspectiva, há uma lei que obriga a oferta da disciplina de religião em escolas públicas, com intuito de assegurar o respeito à diversidade cultural, porém o Estado não fornece a capacitação e recursos adequados para os profissionais de ensino lecionar tal disciplina. Logo, é evidente que o incompleto cumprimento da lei corrobora uma sociedade intolerante na questão religiosa.
Ademais, minorias religiosas são agredidas, física e psicologicamente, devido à percepção individualista dos cidadãos. Ou seja, as pessoas tendem a acreditar que existe apenas uma verdade e por isso disputam para ser donas desta. Nesse cenário, o filósofo Foucault abordava a ideia de que os sujeitos estão em constante batalha pela detenção da verdade e do poder. Desse modo, as minorias, em desvantagem socialmente, ficam sujeitas a discriminação e preconceito dos individualistas privilegiados - os que pertencem a grupos em vantagem social.
Portanto, a fim de garantir que a intolerância religiosa no Brasil seja combatida, cabe ao Ministério da Educação disponibilizar recursos para inserir - de maneira eficaz - no plano educacional a abordagem da história e da importância das diferentes religiões. Tal ação deve ser realizada mediante cursos para os profissionais da educação. Em detalhe, esses cursos podem ser feitos online nos fins de semana e devem abordar maneiras de ensinar a diversidade religiosa sem tomar partido de religiões. O objetivo disso é desenvolver profissionais aptos a educar cidadãos que conheçam as diferentes crenças e disputem menos pela detenção de uma única verdade religiosa. Assim será possível, de fato, se distanciar da intolerância cometida pelos portugueses nos anos de colonização.