ENEM 2016 - 1ª Aplicação - Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil

Enviada em 23/09/2020

O grande filósofo Nietzsche criou a Teoria do Super-Homem, que diz que o indivíduo capaz de se libertar das amarras sociais, exercendo de forma plena seu livre arbítrio, seria diferenciado. Ao que tudo indica, poucos parecem entender essa valiosa lição no que se refere a liberdade de opção religiosa no Brasil. O que percebemos hoje é que muitos indivíduos são intolerantes, preconceituosos e agressivos com os fiéis de algumas religiões. Reverter esse quadro - sem ferir a liberdade de expressão - eis a missão da sociedade brasileira e de um Estado que se diz laico.

Em primeiro plano, é válido ressaltar que parte dessa intolerância reflexo direto da colonização brasileira. Prova disso, desde a colonização, com a catequização indígena e de negros escravizados, num viés etnocêntrico, a cultura e religião desses povos foram subjugados pelo colonizador. Esse projeto colonizador contribuiu para a formação de uma sociedade calcada, muitas vezes, em ideias intolerantes em relação à religião que se difere da sua, tendo a violência - não só física, mas também moral - como reafirmação de sua identidade.

Além disso, com venha apontar que a autocensura delimita a liberdade de expressão individual,  e uma vez que esta não se faz presente, abre caminhos para manifestações intolerantes. De fato, são inúmeros os casos anuais de denúncias relacionadas à intolerância religiosa, principalmente em relação aos fiéis de religiões afro-brasileiras, evangélicas e espíritas, segundo a recente pesquisa da Secretaria de Direitos Humanos da República. Num contexto de ausência da autocensura, relatos de intolerância religiosa tornam-se persistentes na sociedade.

Fica claro, portanto, que a intolerância religiosa é um problema frequente no Brasil, mesmo havendo leis criminalizando tais atos. Nessa perspectiva, importantes caminhos podem ser tomados para combater essa realidade. Segundo Platão, para mudar o mundo, o primeiro passo é mudar a si mesmo. Nesse sentido, as escolas juntamente com as ONGs devem promover a conscientização dos alunos desde pequenos, ensinando a importância da autocensura e o respeito a opção religiosa do outro. Isso poderia ser realizado por meio de palestras e debates nas escolas com os alunos e familiares. A mídia pode ajudar nesse processo, mostrando mais da pluralidade religiosa brasileira nas novelas, já que são de fácil acesso pela população, além de incentivar denúncias em casos de intolerância religiosa para que o Estado, tomando conhecimento, possa cumprir o papel coercitivo e punitivo de acordo com o código penal. Talvez assim, gradualmente, entenderemos o real sentido do Super-Homem de Nietzsche, libertando-nos da intolerância, exercendo autoridade para com a religião do outro.