ENEM 2016 - 1ª Aplicação - Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil

Enviada em 28/09/2020

O Ministério dos Direitos Humanos informou que dentre os anos de 2011 e 2014 houve, em média, 120 denúncias por ano de intolerância religiosa no Brasil. Esses números demonstram que o preconceito por crença está presente de forma complexa na realidade brasileira. Diante disso, é lícito afirmar a necessidade combater essa problemática, que é causada pelo pelo legado histórico e pela má formação socioeducacional.

A princípio, é preciso atentar para a herança histórica, que é um fator determinante na persistência desse problema. Nesse sentido, conforme Claude Lévi-Strauss, filósofo francês, só é possível interpretar adequadamente as ações coletivas por meio do entendimento dos eventos históricos. Desse modo, constata-se que esse pensamento pode ser legitimado pela intolerância religiosa, pois, mesmo que fortemente presente no século XXI, apresenta raízes intrínsecas ao passado patriarcal e escravocrata brasileiro. Logo, indubitavelmente, como defendeu George Santayana, filósofo espanhol, que “Aqueles que não conseguem lembrar o passado estão condenados a repeti-lo”, é válido que esse preconceito acontece há muito tempo e será repetido no futuro, se não houver intervenções contundentes para ele.

Somado a isso, convém ressaltar que a educação deficitária é um forte empecilho para consolidação de uma solução. Nessa perspectiva, de acordo com Paulo Freire, filósofo brasileiro, a educação presente no Brasil é “bancária”, isto é, não estimula o senso crítico e a autonomia do indivíduo. Dessa maneira, verifica-se que o sistema de ensino brasileiro precisa levar à pauta caminhos para combater a intolerância religiosa, mas isso não tem ocorrido, já que a grade curricular explora apenas assuntos conteudistas que fazem esse tema não receber a atenção devida, o que acaba por dificultar uma possível atuação futura sobre ele. Assim, infelizmente, esse cenário prejudica a resolução do problema, já que forma cidadãos despreparados para entender e lidar com esse preconceito.

Portanto, medidas capazes de mitigar essa problemática devem ser tomadas. Posto isso, a escola deve, por meio de amplo debate com alunos e professores, promover rodas de conversa e discussões sobre caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil. Esses eventos podem ocorrer no período extraclasse, com a presença de líderes religiosos. Ademais, esse projeto deverá ser aberto à comunidade, a fim de que mais pessoas compreendam questões relativas a esse preconceito e se tornem cidadãos mais atuantes em busca de resoluções. Dessa forma, espera-se, com essas medidas, que os dados divulgados pelo Ministério dos Direitos Humanos, que tenham relação com essa questão, zerem.