ENEM 2016 - 1ª Aplicação - Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil
Enviada em 28/09/2020
No livro “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, o defunto-autor deixa claro que não teve filhos e não transmitiu a nenhuma criatura a herança de sua miséria. Infelizmente, esse pensamento se torna compreensível quando se percebe o quanto a intolerância religiosa vem crescendo no Brasil, fato esse que teve início na colonização do país e mantém suas raízes até os dias atuais, inclusive na escolha de políticos que fazem apologia à superioridade de uma religião em detrimento de outras.
Em um primeiro momento, é importante lembrar que, durante a colonização do Brasil, houve uma catequisação forçada dos indígenas e dos negros africanos - trazidos para a colônia -, considerando que os invasores tinham uma visão etnocêntrica e se consideravam superiores na raça, na cultura e até mesmo na religião. Esse, então, pode ser considerado um dos principais fatores que leva a intolerância a perdurar até os dias atuais, já que a crença dos ancestrais aculturados são as que mais sofrem com a violência e o preconceito, de acordo dados da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República.
Em um segundo momento, cabe a análise da escolha de políticos conservadores, que tendem a um comportamento contrário à laicidade do Estado e utilizam, inclusive, slogans com sua crença em destaque. Como exemplo, pode-se citar o atual presidente eleito - Jair Bolsonaro - que fez uso, durante toda a sua campanha do slogan “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”, fato esse que explicita exatamente a imposição de uma divindade aos eleitores brasileiros. Cabe lembrar, portanto, que a Constituição Brasileira garante a liberdade de escolha da sua religião e não permite a utilização da mesma em matéria política.
Fica claro, contudo, que a intolerância religiosa é um problema antigo e duradouro que se demontra grave e que deve ser combatido. Para que isso aconteça, o Ministério de Educação e Cultura deve promover palestras para as crianças do Ensino Fundamental I e II, explicando, de forma didática, que a crença é algo pessoal e garantida por lei, para que assim as mesmas já cresçam sabendo respeitar a escolha do outro. Além disso, as plataformas midiáticas devem fazer propagandas que ilustrem e conscientizem a população como um todo. E, por fim, construíremos um país melhor e igualitário, em que talvez Brás Cubas desejasse deixar de herança para seus filhos.