ENEM 2016 - 1ª Aplicação - Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil

Enviada em 13/10/2020

O sociólogo Gilberto Freyre argumentou sobre o multiculturalismo brasileiro e propôs a ideia de Democracia Racial, em que se observava a existência pacífica de todos os povos, sem que houvesse descriminações e preconceitos. Entretanto, hodiernamente, observa-se que tal afirmação não passa de um mito, pois, ações como a intolerância religiosa presente historicamente no país demonstram o paradoxo na garantia total da liberdade aos indivíduos, como deveria ser assegurado pela Constituição Federal. Logo, faz-se necessário compreender os motivos de tal hostilidade e ações cabíveis para combater a prática.

A priori, cabe analisar as motivações para tal implicância, que pode ir além do que a própria escolha de culto. Sobre isso, é relevante abordar sobre a “catequização dos povos”, ocorrida durante a colonização brasileira, em que se observava a intolerância enraizada, não só em parâmetros de fé, como também em visões racistas e etnocêntricas, na qual acreditava-se na existência de uma “raça superior” e na necessidade de “educar” tais povos, devido não só a sua crença, como também a sua etnia. Dessa forma, constata-se que religiões de populações mais passíveis à julgamentos e inferiorizações, como negros e indígenas, são as mais afetadas por tal austeridade.

A posteriori, vale expor sobre o paradoxo presente no país que, apesar da miscigenação e diversidade cultural presente, ainda nota-se a ausência de auteridade no que diz respeito à existência de múltiplas religiões. Ações como a escassez de abordagens do assunto em escolas e a existência apenas de colégios religiosos católicos e evangélicos e não de religiões “estigmatizadas” na sociedade, reforçam, ainda mais, a intolerância, que é motivada desde a infância nos indivíduos. Consequentemente, verifica-se a despreocupação e o descaso na inclusão das diversas religiões brasileiras, o que demonstra, mais uma vez, a reafirmação da falácia na afirmação de Gilberto Freyre.

Portanto, é irrefutável a intolerância estrutural vista na sociedade brasileira, e os motivos vão além do que a escolha de crença pessoal. Dessa maneira, cabe ao Ministério da Educação, juntamente com órgãos governamentais a ação conjunta no que diz respeito à inlcusão nas escolas das mais diversas religiões e crenças existentes. Podem realizar essa ação por meio da realização de bate-papos entre alunos das mais variadas escolhas de fé, de forma a expor sobre suas crenças, a garantir o debate saudável entre as mais variadas doutrinas e a incentivar a banalização da intolerância. Além disso, a criação de canais e documentários que abordem sobre as inúmeras doutrinas e crenças presentes no país poderão garantir a liberdade de culto e de expressão dita na Constituição Federal, e, de alguma forma, valorizar a rica diversidade cultural brasileira.