ENEM 2016 - 1ª Aplicação - Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil

Enviada em 10/10/2020

No filme “Meu nome é Khan” é exposto um muçulmano que sofre preconceito religioso e, após o assassinato de seu filho, busca desconstruir a visão errada tida dele. Essa intolerância extrema é ainda vista na contemporaneidade, motivada, principalmente, por generalizações infundadas e negativas, como concluir que islâmicos são terroristas ou que umbandistas interagem com magia negra. Ademais, as constantes notícias de ataques a crenças que destoam do mundialmente consolidado cristianismo são sinais de uma forma de administração política atual incapaz de cumprir com os direitos propostos na Declaração Universal da ONU. Isso se deve a uma deficiência educacional e a falta de neutralidade religiosa do poder.

A princípio, Voltaire, filósofo do Iluminismo, propôs que todos possuem liberdade de expressão, desde que respeitem as posições alheias. Em contrapartida, muitas ações e discursos são movidos pelo ódio ao próximo, ocasionando movimentos violentos, como o ataque a altares de religiões de matriz africana, no Brasil. Assim, pode-se relacionar o aumento dos casos de ódio à pouca interação e entendimento das diversidades culturais desde o início das educações familiar e escolar. Essas deveriam contribuir para a formação de um cidadão instruído e tolerante, que possa cumprir as palavras do estudioso francês.

Outrossim, além do sistema de educação deficiente, diversos países não mantêm a neutralidade religiosa, pois executam planos para favorecer uma crença, o que se afasta do real Estado Laico. A exemplo disso há a Índia, o Paquistão e o Mianmar, os quais foram ou são geridas por governos religiosos, onde houve uma grande perseguição de minorias, forçando o refúgio em territórios vizinhos. Desse modo, mesmo que a Declaração Universal dos Direitos Humanos assegure os mesmos direitos a todos, não é o suficiente para combater os extremismos que movem a intolerância religiosa.             Destarte, medidas devem ser tomadas para minimizar ações e falas intolerantes. Inicialmente, com investimentos do governo no ensino em escolas e universidades sobre diversidades culturais, já iniciado com a adição da história africana à grade do Brasil, haverá a formação de indivíduos mais instruídos e compreensivos com opiniões alheias. Em conjunto a isso, a ação social contra políticas e grupos preconceituosos é precisa, a qual, por meio do financiamento feito por ONGs e instituições intergovernamentais, a população terá condições para se mobilizar com passeatas e discursos, com o fito de garantir seus direitos de expressão.