ENEM 2016 - 1ª Aplicação - Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil

Enviada em 19/10/2020

Desde 1500, com o “descobrimento” do Brasil, é possível observar os primeiros traços da intolerância religiosa no qual a sociedade brasileira está inserida. Haja vista, que os portugueses chegaram às terras brasileiras impondo sua religião e catequizando não só os nativos como também, posteriormente, os povos africanos. Vale ressaltar, que essas populações já possuiam crenças religiosas e foram impedidas de manifestarem suas religiosidades. Em vista do exposto, pode-se perceber que essa questão está enraizada na história do país, visto que ainda hoje esses povos lutam para conseguirem ter sua liberdade religiosa respeitada, aliado ao fato de que o número de crimes de caráter intolerante são altos no país e quase ninguém é punido.

Em primeira análise, as religiões que mais sofrem discriminação no Brasil são as de matriz africana, isso ocorre por conta do racismo histórico que está inserido na sociedade, desde o século XV. Nesse sentido, pode-se destacar os altos números de indivíduos, praticantes de tais religiões, que são agredidos tanto verbalmente quanto fisicamente e que, constantemente, são marginalizados. Desse modo, pode-se destacar o caso da Kailane Campos, atingida por uma pedrada na cabeça em junho de 2015, aos 11 anos, no subúrbio do Rio de Janeiro, quando voltava para casa de um culto e trajava vestimentas religiosas candomblecistas.

Outrossim, a legislação brasileira assegura a liberdade religiosa, além de garantir proteção e respeito a todas as manifetações de cunho religioso. No entanto, muitas pessoas ainda sofrem com a discriminação de sua religião no país, visto que o Brasil registra uma denúncia de intolerância religiosa a cada 15 horas, segundo os dados da revista Veja. Além disso, poucas pessoas sofrem as consequências ao cometer tais crimes, uma vez que muitas vítimas não chegam a denunciar, seja por não terem consciência de seus direitos, seja por medo, vergonha ou pela sensação de impunidade. Logo, as autoridades também não ficalizam nem conscientizam a população sobre o assunto.

Portanto, fica explícito o quanto a intolerância religiosa é uma problemática que necessita ser discutida. Dessa maneira, é necessário que o Ministério da Educação crie campanhas de conscientização, ministrando palestras e levando a discussão às escolas para que, desde a infância, a população aprenda a respeitar a todos, independentemente de sua crença, cultura ou cor. Cabe também, ao poder Legislativo criar leis mais rígidas para penalizar os infratores, e ao Judiciário garantir que tal legislação seja cumprida por meio de fiscalizações, abertura de mais canais de denúncia e postos policiais. Para assim, a sociedade brasileira caminhar para uma realidade mais segura e igualitária para todos.