ENEM 2016 - 1ª Aplicação - Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil

Enviada em 19/10/2020

Macumba tem por definição instrumento de percussão, no entanto leva consigo um significado carregado de intolerância o qual foi disseminado durante o período da escravidão no Brasil, ressignificado para prática de feitiçaria, bruxaria, magia oculta dentre outros termos de cunho negativo. Hodiernamente, ainda é notável a presença da violência religiosa no Brasil, uma vez que a atual sociedade reflete  a sua fragilidade em lidar com crenças díspares. Nesse viés, é possível perceber problemas de contornos específicos quer seja pela questão história, quer seja pela falha Estatal.

Em primeira análise, é válido destacar que o país traz historicamente diretrizes enraizadas à base de uma concepção avessa ao que não seja cristianizado. Ao longo do processo de colonização no Brasil, a partir de 1530, a presença dos padres jesuítas influenciaram diretamente no pensamento cristão europeu. É certo que os índios eram vistos como povo que precisava ser salvo, assim seus discursos de fé e o dito “é a vontade de Deus que sejam escravos”, como apresentado nos sermões do Padre Anchieta, provocam um cenário alarmante que impediu a população nativa de possuir suas próprias crenças. Isso, colabora para uma ferramenta de manipulação e subordinação. Logo, a ideia de conversão sem a abertura a discursos diferentes está ligada ao desenvolvimento histórico da problemática.

Além disso, vale analisar que o Estado falha ao garantir liberdade de escolha religiosa já que não garante a segurança plena dos indivíduos. Segundo o economista inglês John Maynard Keynes, o Estado deve garantir o bem-estar social e, inclusive, o direito a segurança. Contudo, na atual conjuntura, isso não é aplicado uma vez que ainda é comum depreciações de pessoas, locais e objetos religiosos, ofensas e piadas, em especial, de matriz africana. Prova que as ações Estatais ainda falham em equiparar a suposta liberdade à crença. Isso denota, sobretudo, mais estreitos os caminhos para vencer  a falta de respeito no que tange a religiosidade.

Infere-se, portanto, que medidas sejam tomadas para que se consolide vias de combate à intolerância religiosa no Brasil. Dessa forma, faz-se necessário que o Poder Judiciário fiscalize  leis já existentes por meio da abertura de canais virtuais e por telefone com o monitoramento das denuncias. Como isso, as medidas de punição devem ser aplicadas junto ao incentivo às propagandas nos meios comunicativos, como em canais televisivos e redes sociais, com a finalidade de que se crie consciência de respeito. Assim, termos como macumba passaram a ser apenas um processo intolerante antigo e, gradativamente, se alcançará uma cidadania plural.