ENEM 2016 - 1ª Aplicação - Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil

Enviada em 22/10/2020

A Declaração Universal dos Direitos Humanos, proposta em 1948, versa a respeito da igualdade e da liberdade. No entanto, se tratando de liberdade de credo, mesmo em um estado laico como o Brasil, em que não há religião oficial, a intolerância religiosa é marcante na vida daqueles cujo credo não se enquadra no convencional. Como estado laico, o país falha em reconhecer sua história católica tendenciosa e a promover uma maior exposição da diversidade, bem como do combate ao preconceito.

Primeiramente, deve-se entender que, o Brasil, sendo um país colonizado durante séculos por monarquias católicas, possui, em sua maioria, uma população familiarizada à filosofia cristã. Essa familiarização, induz a uma espécie de inércia, em que a população passa a não valorizar uma maior integração dos diversos tipos de credo. Essa segregação apenas reafirma a desconexão entre a população e a diversidade religiosa.

Além disso, uma parcela considerável de pais e mestres apoia a ideia da imposição religiosa nas escolas públicas, desconsiderando completamente a diversidade de credo. Isso não só reitera o desrespeito a ideia de liberdade religiosa como um direito fundamental, mas também impede uma maior integração da parcela não cristã na sociedade, estimulando a segregação e o preconceito.

Portanto, o estado deve agir guiado pelo respeito a liberdade religiosa e a ideia de laicidade, sem ceder aos anseios de grupos religiosos que parecem ir na contramão da evolução do mundo globalizado. Desse modo, faz-se necessário a elaboração, em parceria com instituições públicas e privadas de ensino, de um programa escolar que incorpore discussões reflexivas a respeito da diversidade, combatendo o preconceito. Além disso, o uso de campanhas públicas que estimulem o exercício da empatia pode ajudar praticantes de religiões convencionais a valorizar a importância da tolerância no exercício de seu próprio culto.