ENEM 2016 - 1ª Aplicação - Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil

Enviada em 26/10/2020

Desde a primeira fase do Romantismo, os poetas já buscavam a construção de uma identidade nacional, retratando em suas obras a extensão do território brasileiro, suas belezas e suas diversidades. Participavam desse enredo, o índio, o branco europeu e o negro, que trouxeram para o país suas culturas, crenças e religiões, evidenciando a mestiçagem do povo. Dessa forma, é incoerente pensar como um país tão miscigenado tem preconceitos históricos tão enraizados com a questão religiosa.

De início, é cada vez comum encontrar-se nos jornais notícias e reportagens relatando atitudes hostis decorrentes da intolerância religiosa. As divergências levam um ser humano inconformado com a crença de outro a tentar impor suas ideologias, embasado pelo pensamento de superioridade de determinada religião. Dessa maneira, tornaram-se frequentes os casos de violências verbais e agressões físicas, em todo o território nacional. Prova disso foi a que ocorreu a uma menina de apenas onze anos - devido ao fanatismo religioso de determinado grupo, ela foi apedrejada após sair de um terreiro de Candomblé, no Rio de Janeiro.

Outrossim, vale destacar que há um caos instalado pela intolerância religiosa, o qual precisa ser suprimido. Faz-se necessária a criação de uma lei que busque proteger cultos religiosos de matriz africana, os quais estão no topo da discriminação no Brasil. Além disso, estipulou-se o dia 21 de janeiro como o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, como forma de conscientização da população, pois todas as pessoas e suas respectivas religiões merecem proteção e respeito. Segundo o poeta francês Victor Hugo, “a tolerância é a melhor das religiões”, e por isso, em um país tão cheio de diversidade, não cabe julgar, discriminar ou hostilizar a fé alheia.

Fica evidente, portanto, que nenhuma religião é superior a outra e é papel do Estado garantir a liberdade de escolha como forma indispensável no regime democrático, fazendo valer a laicidade da nação, preservando os direitos fundamentais dos cidadãos. por sua vez, as escolas devem ampliar a discussão sobre a tolerância às diferenças, promovendo debates e palestras que tratem da pluralidade cultural e religiosa existente em no país. Dessa maneira, inspirados pelos ideais de liberdade e igualdade propagados pela geração condoreira do movimento romântico, honraremos o nosso título de povo miscigenado.