ENEM 2016 - 1ª Aplicação - Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil
Enviada em 14/11/2020
A Idade Média foi uma época absorta na intolerância religiosa, desde as Cruzadas, que buscavam a conquista da Terra Santa por meio de atos violentos, até à queima de mulheres por supostas acusações de bruxaria. Paralelamente, nos dias atuais, ainda se observam atitudes com o mesmo intento discriminatório e agressivo. Nesse contexto, destacam-se dois principais fatores que contribuem para essa questão, o enfraquecimento da laicidade do Estado e o preconceito dirigido aos grupos minoritários.
Em primeiro lugar, é preciso reiterar a importância do Estado laico e as consequências de sua ausência. Foi John Locke, considerado o pai do iluminismo, um dos maiores responsáveis por esse avanço. O filósofo alertava para os perigos da imposição religiosa sobre os cidadãos, e como isso afetaria a liberdade de expressão, direitos individuais e a democracia na sociedade. Entretanto, esses pensamentos se notam necessários até hoje, sendo que ainda se observam países em que o Estado e a religião estão fortemente ligados, muitas vezes punindo a população por dogmas e opiniões contrárias àquelas escritas nos livros sagrados.
Além disso, principalmente no Brasil, outro fator inexorável para o crescimento da intolerância religiosa é o racismo estrutural. Trata-se de um fator inegável, quando se analisa que os principais alvos desse preconceito no país são as religiões de matriz africana, como candomblé e umbanda. Tal faceta já era abordada pelo antropólogo Gilberto Freyre em seu livro “Casa-Grande e Senzala”, em que ele defendia que a miscigenação era pilar importante da identidade cultural brasileira, dando destaque para o caráter híbrido das religiões no país. Portanto, fica realçada ainda mais a pertinência da pluralidade de crenças no território nacional.
Em resumo, é tangível a importância da manutenção do Estado laico no país, para combater o preconceito e a discriminação, principalmente contra aquelas religiões que se encontram em minoria. Dessa forma, urge que o Ministério da Cultura, por meio de peças publicitárias e ações culturais, como palestras e exposições sobre o tema, conscientize a população para a relevância da diversidade religiosa no país, reforçando a laicidade do Estado brasileiro. Só assim será possível impedir o ciclo vicioso de preconceito, encontrado desde a Idade Média até os dias atuais, criando uma sociedade mais tolerante e inclusiva.