ENEM 2016 - 1ª Aplicação - Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil
Enviada em 20/11/2020
Conforme o filósofo Pierre Buordieu, a sociedade tende a incorporar costumes de determinada época, destarte, quando não existia a laicidade do Estado, a intolerância religiosa era “justificada”, visto que uma crença era vista como a melhor. Nesse viés, essa ideia de separação foi implantada por diversos países após a Revolução Francesa, por isso, deve-se destacar os caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil. Por assim ser, é importante analisar não só analisar a historicidade dessa problemática, mas também as religiões mais afetadas por esse impasse no século XXI.
A princípio, as Grandes Navegações, no século XV, proporcionaram o contato entre os habitantes do país pioneiro nesse fenômeno, Portugal, com os povos indígenas, os quais tiveram suas manifestações culturais, como a religião, inferiorizadas, o que comprometeu a liberdade de expressão. Dessa maneira, concretizou-se a catequização desses indivíduos encontrados pelos jesuítas, os quais se utilizavam de peças teatrais para impor o Catolicismo, essa ação sofreu resistência, todavia, qualquer ação que contrariasse ao pensamento dominante era reprimida até mesmo com a morte. Esse cenário de imposição de crença também foi sofrido pelos africanos , escravizados durante o Período Colonial, os quais para não terem que deixar de realizarem seus cultos realizaram a fusão da religião oficial com os seus rituais, o que originou crenças como a Umbanda.
Outrossim, o filósofo Jhon Locke defendia a indiferença , ou seja, o não aceitamento de “verdades” incontestáveis, em relação ao pensamento de outras pessoas, o que promoveria a tolerância. Essa postura não é manifestada no Brasil, uma vez que o fanatismo religioso utiliza-se de mecanismos criminosos, como perturbar a cerimônias religiosas, para manifestarem aversão à crenças diferentes, o que é previsto como infração pelo artigo 208 do Código Penal. Esse cenário é fortemente enfrentado pelas religiões de origem africanas ,como o candomblé, para ilustrar, de acordo com a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, em 2016, 75% dos casos de intolerância religiosa são sofridas por elas, o que se deve pela inferiorização secular de seus rituais.
Portanto, a intolerância religiosa é um grave problema no Brasil, considerando não só a historicidade dessa problemática, mas também as religiões mais afetadas por esse impasse no século XXI. Assim, cabe ao próprio indivíduo, especificamente ao que sentir que as suas manifestações religiosas ou a falta dela está sendo ameaçada, denunciar, o que ocorrerá por meio da prestação de queixa policial. Essa medida objetiva a identificação desse crime, bem como sua punição, antes que a “nação verde-amarela” ,apesar da sua laicidade, seja marcada pela intolerância religiosa desde o seu descobrimento, o que é destacado pela permanência da aversão a religiões de origem africana.