ENEM 2016 - 1ª Aplicação - Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil

Enviada em 27/11/2020

À entrada do Oráculo de Delfos, importante monumento da Grécia Antiga, havia uma frase do grande pensador Sócrates: “conhece-te a ti mesmo”. Notadamente, uma referência à valorização do indivíduo e de sua subjetividade. No entanto, ao observar a questão da intolerância religiosa no Brasil, percebe-se tal problemática como uma injustiça ao que é subjetivo e particular ao outro. Para tanto, tal cenário mostra-se persistente, especialmente, tanto pela educação deficitária no que diz respeito à liberdade religiosa, quanto pelo não alinhamento da ética social à Constituição Brasileira de 1988.

A princípio, o professor Paulo Freire dissertou sobre a pedagogia libertadora, uma alusão à educação crítica a serviço de transformação sociocultural. No entanto, ao perceber, em diversos contextos, o quanto tem persistido atitudes de intolerância às crenças do próximo, nota-se um corpo social afastado de um posicionamento dialético. Nessa lógica, observa-se sobretudo um preconceito religioso estruturado. Dessa maneira, observa-se, essencialmente, um sistema educacional deficitário, o qual não dialoga com as ideias freireanas e, portanto, não consegue formar adeptos ao comportamento da pós modernidade.

Outrossim, a Constituição Federal explicita que é dever do Estado proporcionar um ambiente harmônico a todos. No entanto, a realidade expõe uma contrariedade. Expressa-se na verdade à medida que a Secretaria dos Direitos Humanos da Presidência da República registrou que a cada 3 dias, há 1 denúncia por intolerância religiosa. Nessa perspectiva, os fatos expostos ecoam o Enigma da Modernidade, o qual explicita que, apesar de a sociedade ser avançada em suas razões teóricas é, por sua vez, primitiva em suas razões éticas. À vista disso, a dissonância entre a narrativa factual e a Carta Magna precisa ser solucionada.

Logo, é imprescindível que o Ministério da Educação seja um agente efetivo no combate à intolerância religiosa no país, orientando seus docentes e coordenadores, por meio de videoconferências, a abordarem a temática desde o ensino fundamental ao ensino médio. É importante que tal ação foque nas ideias de Freire, estimulando os estudantes à criticidade. Ademais, faz-se necessário que o Estado promova campanhas publicitárias que reforcem o respeito à diversidade religiosa e informe os cidadãos de seus direitos garantidos pela Constituição. Dessa forma, resolver-se-ão os problemas relacionados à intolerância religiosa no Brasil e alcançar-se-á o anseio de Sócrates.