ENEM 2016 - 1ª Aplicação - Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil

Enviada em 27/11/2020

A perseguição aos judeus durante a Segunda Guerra Mundial se tornou o símbolo da intolerância religiosa no século XX. Os nazistas caçavam e matavam todos aqueles que seguiam um padrão diferente do estabelecido. Nesse sentido, o problema apenas mudou de contexto, uma vez que, o crescente número da taxa de violência com relação à falta de tolerância às diferentes crenças no Brasil é algo preocupante. Posto que, o problema é decorrente do enraizamento ocorrido durante a colonização e a inoperância do Estado.

Em primeira análise, vale ressaltar que a colonização foi o gatilho para a intolerância religiosa no Brasil. Quando as primeiras caravelas portuguesas, as quais tinham os padres jesuítas, chegaram ao litoral brasileiro, os colonizadores alegavam está levando prosperidade para o local, entretanto obrigaram os nativos a seguirem uma identidade cultural diferente da sua. Ademais, os escravos africanos, introduzidos mais tarde no Brasil, tiveram o mesmo destino dos índios, uma vez que também eram impossibilitados de seguirem suas crenças religiosas, sendo punidos casos desrespeitassem essa imposição. Hodiernamente, parte da população brasileira ainda segue esse viés imposto pelo europeu, tratando de forma indiferente pessoas de outras matrizes religiosas, sendo muitas vezes, a violência parte dessa equação social.

Outrossim, o Brasil é um país com uma rica complexidade de leis, sendo na prática, uma utopia a ser seguida. No entanto, diversos decretos deixam de ser operantes à medida que não há fiscalização necessária. Como forma de ilustrar, a Constituição Federal de 1988 assegura a todos a liberdade de crença. Porém, o que se nota na realidade é o descumprimento da laicidade estatal e a total inoperância desse direito constitucional para alguns grupos religiosos. Em adição, não há uma lei específica que criminalize apenas a intolerância religiosa, e, apesar das garantias constitucionais, esse tipo de intolerância continua sendo constantemente praticado em nosso país.

Logo, torna-se evidente que os caminhos para a luta contra a intolerância religiosa no Brasil ainda têm um longo caminho a percorrer. De acordo com Kant, “O homem não é nada além daquilo que a educação faz dele”. Portanto, é necessário que o Ministério da Educação em parceria com a mídia, estimular o pensamento crítico por meio de projetos, trabalhos, palestras e campanhas publicitarias sobre a diversidade cultural/religiosa. Com essa medida, a imagem terrível da Segunda Guerra Mundial, em relação à intolerância religiosa, se torne para todos como algo repulsivo e desencorajador.